NEGÓCIOS

Nova TI exige simplicidade e CEOs no centro das decisões

Por Fábio Barros* ... 26/10/2012 ... Convergência Digital

O mundo está mudando e, no centro desta mudança, estão os CEOs das grandes empresas. Esta a avaliação de Mark Hurd, presidente da Oracle Corp., para quem estes executivos terão que aprender a sobreviver em um novo cenário. Este foi o tom de uma apresentação que o executivo fez para clientes e jornalistas nesta quinta-feira, 25/10, no México.

Hurd lembrou que há mudanças externas, como o fato de a China, já em 2015, tornar-se uma economia maior que a dos Estados Unidos. Há mudanças na tecnologia disponível hoje – um smartphone comum é mais poderoso que o maior computador existente em 1991. Há mudanças de comportamento, sinalizadas pelos 9 bilhões de equipamentos conectados hoje à internet e pela previsão de que, até 2020, serão 50 bilhões.

E há mais. Este ano, os orçamentos globais de TI somados deverão chegar a US$ 850 bilhões, 50% deste valor direcionado a serviços. E permeando tudo isso, o crescimento absurdo do volume de dados existente no mundo: este volume cresceu 90% nos últimos dois anos e deve crescer mais 50% até 2020. “Tudo isso tem impacto em como e onde as empresas vão investir”, disse o executivo.

E o impacto é grande. Hurd lembrou que, a se confirmar o percentual de crescimento no volume de dados, em 2020 o mundo não terá capacidade física para armazená-los. Ele lembrou que, na maioria das empresas, o volume de dados cresce 45% ao ano e que o custo de manter 1 TB de dados varia de US$ 7,5 mil a 9 mil ao ano.

Some-se a isso o fato de que consumidores ampliam os dados em 40% ao ano e que os orçamentos de TI crescem de 1% a 2% ao ano (storage representa 10% deste valor) e chega-se à conclusão de que as áreas de TI teriam que crescer 4% ao ano somente para manter os dados. Uma conta que não fecha, uma vez que este crescimento varia entre 1% e 2%ao ano.

E a demanda tende a crescer ainda mais, uma vez que 43% dos americanos vão se aposentar nos próximos dez anos. “São as pessoas de minha geração, acostumadas a acessar serviços pelo telefone. Nós seremos substituídos por uma geração digital, o que significa que teremos consumidores mais sofisticados e conectados”, avalia. O resumo: os CEOs terão que lidar com novas forças econômicas, com volumes astronômicos de dados e com uma geração de consumidores em que a paciência não deverá ser a principal virtude.

“Para este novo mundo, a infraestrutura de TI existente hoje está obsoleta. São aplicativos desenvolvidos pera outro contexto e não vemos empresas dispostas a investir o quanto for necessário para mudar isso”, afirmou. Como exemplo, ele citou um levantamento interno da própria Oracle, segundo o qual apenas 38% de seus clientes estão conectados com seus consumidores e, destes, apenas 3% são realmente capazes de se conectar, engajar e transacionar com este público.

E aí entram os CEOs. Para Hurd, não bastam as mudanças provocadas pelas áreas de TI. As empresas precisam adotar estratégias que transformem seus negócios, e a tecnologia por consequência. Isso inclui consolidar e simplificar processos; modernizar estratégias para aplicativos e gerenciamento de dados; adotar o modelo de serviços compartilhados; globalizar, padronizar e automatizar processos de negócios; e adotar o autosserviço em todas as áreas possíveis. “Na prática, significa deixar a indústria trabalhar por você e inovar nas áreas de estratégia e na cultura de experiência do consumidor. Mas esta é uma decisão de negócio”, defende.

O executivo acredita que a indústria de TI tornou-se tão complicada e fragmentada, que as empresas usuárias estão se tornando empresas de pesquisa e desenvolvimento. É a forma que elas encontraram para suprir suas necessidades. A questão é que, com isso, deixam de lado o foco na experiência de seus clientes, o que é um risco.

Hurd prevê um futuro em que os fornecedores de TI em geral, e a Oracle em particular, se transformarão nas áreas de pesquisa e desenvolvimento de seus clientes. “Para que isso aconteça, estamos trabalhando em quatro estratégias globais: oferta de soluções best-in-breed, integração vertical de sistemas, oferta de aplicações em nuvem e criação de aplicações setoriais”, revela.

O crescimento do uso da nuvem seria um exemplo claro desta demanda. Para Hurd, o que mais atrai no novo modelo é, na verdade, o fato de que o trabalho não está sendo realizado dentro de casa. “Há duas agendas que as empresas precisam tocar ao mesmo tempo: simplificar e inovar. A indústria se tornou complicada para os clientes, os condicionou a gastar dinheiro em infraestrutura. Agora o mercado quer simplicidade”, defende.

América Latina em destaque

A América Latina é a região do mundo em que os negócios da Oracle mais crescem, informou ainda Hurd. Por conta desse impulso , a Oracle deve manter uma agenda pesada de investimentos na região, disse o executivo. Analisando os fatores que alavancam a demanda cada vez maior pelos soluções da companhia, Luiz Meisler, presidente da Oracle para a América Latina, disse que o empreendedorismo é um dos principais fatores.

Meisler lembrou que não há mais gaps de uso de tecnologia entre as regiões do mundo. “A tecnologia caminha praticamente na mesma velocidade em todo o mundo. O que varia é o empreendedorismo das empresas de cada país na adoção destas tecnologias”, comparou.

E, para ele, a estabilidade vivida hoje pela região – as economias continuam crescendo razoavelmente, com a inflação sob controle na maior parte dos países – deve-se muito ao empreendedorismo. A percepção do executivo é que hoje há muitas empresas latino-americanas experimentando coisas novas. “Estas empresas estão surgindo sem que seus empreendedores entendam de tecnologia. Na verdade, eles não querem se preocupar com isso”, disse.

A constatação representa, na verdade, um mundo de oportunidades para os fornecedores de TI, principalmente quando se fala em aplicativos baseados na nuvem. “A nova geração de software como serviço vem para simplificar os negócios e permitir que as empresas se foquem no que realmente lhes interessa”, afirmou.

O mesmo vale para as grandes companhias, só que em outra velocidade. Para a Oracle, mesmo estas farão uso da nuvem, mas isso vai ocorrer devagar e em áreas como recursos humanos e relações com os clientes. “Vai haver um caminho híbrido durante um período e acredito que a Oracle é hoja a única companhia capaz de suportar este modelo”, provoca.

Não por acaso, Meisler citou o exemplo da Salesforce.com, que concorre com a Oracle na oferta de aplicações de CRM, mas, ao mesmo, tem toda sua infraestrutura baseada em tecnologia Oracle.

De todo modo, esta mudança, principalmente nas grandes empresas, deverá ocorrer mais por setores do que por países. A comparação é simples: em áreas de grande competitividade, onde a tecnologia significa mais eficiência, a adoção de novos modelos vai ocorrer de forma mais rápida. “Não é algo que se aplica a todas as empresas”, explicou.

Como exemplo, Meisler citou a revolução vivida hoje pelo setor de telecomunicações. “Muitas empresas não sabem onde estarão daqui a um ano. Não sabem, por exemplo, se ainda haverá telefones fixos em alguns anos”, comparou, lembrando que este é um setor extremamente demandante de tecnologia.

Por outro lado, empresas do setor de óleo e gás, como a Petrobras, devem adotar modificações de forma mais localizada. “Uma empresa destas deve se preocupar com big data, já que precisa analisar milhões de informações. Mas isso se resolve com uma aplicação específica”, disse.

A mudança nas grandes companhias, disse Meisler, ocorre quando começa uma crise, geralmente quando concorrentes tomam a dianteira em inovação. Por tudo isso, os CEOs em breve começarão a ver a TI de outra forma, assim como os CIOs já começam a entender de negócios. “O perfil está mudando. Em muitas empresas, o CIO já é alguém que veio da área de negócios e que entende pouco de tecnologia”, afirmou.

*Fábio Barros viajou ao México a convite da Oracle.





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