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Brasil perdeu o direito de errar com a formação dos jovens

Convergência Digital - Carreira
Ana Paula Lobo* - 03/07/2018

No Brasil, apenas 10% dos jovens entre 15 e 17 anos recebem educação técnico-profissional. Enquanto isso, no Japão, são 70%, o mesmo índice da Finlândia. Na Áustria, são 76%. “É preciso mudar a matriz, ver a educação como fator principal da competitividade”, disse o diretor-geral do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), Rafael Lucchesi.

A preparação dos trabalhadores para atuar em um modo de produção diferente do atual é o principal obstáculo para o Brasil embarcar na onda da indústria 4.0. Enquanto algumas profissões devem ser extintas, outras vão exigir um tipo diferente de formação e de treinamento, sem necessariamente a obrigatoriedade de uma faculdade.

Dados do Ministério do Trabalho mostram que o profissional de nível técnico pode alcançar uma remuneração até maior do que a de determinadas áreas que exigem formação superior, como jornalismo e economia. Profissionais técnicos de áreas como eletromecânica, química e energia com um ano de casa ganham na faixa de R$ 7,2 mil, segundo o Relatório Anual de Informações Sociais (Rais) do Ministério do Trabalho, base de 2016. Trabalhadores com dez anos de experiência atingem salários de R$ 10 mil.

Para Lucchesi, o Brasil não pode errar mais. "Já ficamos para trás na transformação que houve na terceira revolução industrial, a da microeletrônica”, disse o diretor-geral do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), Rafael Lucchesi. Uma pesquisa da Confederação Nacional da Indústria mostra que o segmento está muito atrasado.

Segundo o levantamento, 77,8% das empresas ainda estão nos estágios mais atrasados de aplicação de tecnologia. Em metade delas, o uso das tecnologias de informação e comunicação (TIC) é apenas pontual. A outra metade está um passo adiante, usando as TICs, mas com integração de apenas algumas áreas. No estágio seguinte, no qual a integração de áreas é total, estão 20,5% das indústrias pesquisadas. E apenas 1,6% está na fronteira, com integração digital total e uso de inteligência artificial.

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