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Testes de 5G indicam que será preciso mitigar 6 milhões de parabólicas

Convergência Digital - Carreira
Por Luis Osvaldo Grossmann* - 21/05/2019

A Anatel elegeu a faixa de 3,5 GHz como a banda pioneira para o 5G no Brasil. Mas isso exige soluções para um dilema histórico no país – o risco de interferência com as estimadas 23 milhões de antenas parabólicas que garantem recepção de TV em um terço dos lares brasileiros. Os testes, iniciados há um ano, permitem um certo otimismo para as prestadoras móveis, mas confirmam que o uso efetivo vai exigir muito trabalho.

“O caminho é bom desde que tenhamos a devida filtragem. Usando filtros melhores é perfeitamente possível, tendo antenas com mais de 1,5 metro de diâmetro, mitigar mais de 90% da interferência”, avalia o consultor de tecnologia de rede da Claro, Carlos Camardella. “Mas ainda haverá uma quantidade razoável de antenas com interferência. Será preciso exigir antenas melhores, que tenham certificação e selo da Anatel para serem vendidas no país”, reconhece.

Vale lembrar que, por diferentes objetivos, a Anatel tenta há 15 anos, sem sucesso, destinar a faixa de 3,5 GHz para as telecomunicações. E o que os testes feitos no laboratório da Claro, na Ilha do Fundão, no Rio de Janeiro, evidenciam, é que o legado das parabólicas instaladas privilegiou preço sobre o uso efetivo de filtros. Sem uso em um naco próximo do espectro, tudo bem. Mas o efetivo uso da faixa de 3,5 GHz para o 5G depende de soluções políticas e técnicas.

“No cenário atual, de 23 milhões de antenas parabólicas residenciais, 30% delas em centros urbanos, na pior das hipóteses teremos que mitigar até 6 milhões de antenas, trocar LNBFs [conversores de baixo ruído] que não possuem devidos filtros. Culpa do legado, de equipamentos sem filtros, um problema histórico, já que para ficar mais barato a indústria fez o mais simples”, indica Camardella.

Os testes demonstraram que a interferência existe, mas ela pode ser atenuada, ainda que com algum trabalho. “O que foi testado foram novas amostras de LNBFs com filtragem, mas na minha visão precisa evoluir muito. Hoje não tem como usar distância menor de 600 metros para não interferir na Banda C estendida. Se tiver 5G emitindo em 2,9 GHz já interferiria em um sistema que deveria começar em 3,6 GHz”, completa.

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