TELECOM

Nos EUA, teles se unem contra roubo de celulares

Da redação ... 10/04/2012 ... Convergência Digital

As maiores empresas de telefonia celular dos Estados Unidos fecharam um acordo com o governo para criar um banco de dados de celulares roubados — parte de uma iniciativa maior para conter a explosão de furtos dos aparelhos no país, revela reportagem do Wall Street Journal.

Segundo relatório da polícia, em 2011, a cidade de Nova York teve mais de 26 mil casos de furto de eletrônicos, sendo que 80% são de celulares, de acordo com relatório policial. O levantamento mostra que o roubo de celulares supera, inclusive, os de dinheiro vivo.

O banco de dados será construído e mantido pelas operadoras móveis. Ele será projetado para localizar celulares dados como perdidos ou roubados e bloquear seus serviços de voz e dados. A ideia é reduzir a criminalidade, tornando difícil ou impossível usar de fato um aparelho roubado, o que diminui também o seu valor de revenda.

As operadoras americanas Verizon Communications Inc. e Sprint Nextel Corp. já bloqueiam celulares que os donos afirmam ter perdido, impedindo que sejam reativados. A AT&T Inc. e a T-Mobile USA, filial da Deutsche Telekom AG, ainda não fazem isso. Todas quatro concordaram em integrar o novo banco de dados.
"Novas tecnologias criam novos riscos", disse Julius Genachowski, presidente da Comissão Federal das Comunicações (FCC, na sigla em inglês), a autoridade reguladora do setor, que negociou o projeto do banco de dados com as operadoras. "Queríamos encontrar uma maneira de reduzir o valor dos celulares roubados."

O roubo de celulares é um dos crimes que tem aumentado mais nos EUA, segundo a polícia. O acordo entre a FCC e as maiores operadoras de celular é resultado, em parte, da pressão de chefes de polícia frustrados. A Associação dos Chefes das Grandes Cidades, que congrega 70 chefes de polícia de grandes cidades dos EUA e do Canadá, publicou em fevereiro uma resolução solicitando que a FCC obrigasse as telefônicas a implementar novas tecnologias para desativar aparelhos roubados.

Por trás da alta nesse tipo de crime está o lucrativo mercado de celulares usados. Os ladrões podem vender os aparelhos roubados para lojas locais ou vendedores ambulantes — ou oferecer os aparelhos em sites como eBay.com, Amazon.com ou Craigslist.org, onde um iPhone usado, por exemplo, pode chegar a valer centenas de dólares.

Bancos de dados parecidos para celulares roubados já existem em países como Reino Unido, Alemanha, França e Austrália. O banco de dados do Reino Unido foi criado em 2002. O da Austrália em 2004. As iniciativas não impediram os crimes, mas o número de incidentes diminuiu.


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