INOVAÇÃO

Hardware entra na segunda chamada do programa Startup Brasil

Ana Paula Lobo ... 27/05/2014 ... Convergência Digital

As startups de hardware vão poder, agora, também brigar pelos recursos do programa Startup Brasil, criado pelo MCTI, dentro do plano TI Maior, lançado em agosto de 2012, pelo governo Dilma Rousseff. Na segunda chamada pública do programa - que será publicada no Diário Oficial da União nesta quarta-feira, 28/05 - essa é a principal novidade. As empresas terão o suporte de duas aceleradoras - uma da Bahia e outra de Campinas para realizar seus protótipos.

"Fizemos estudos efetivos e queremos que o Brasil entra na disputa pelos dispositivos que vão conectar a Internet das Coisas. No Vale do Silício, nos Estados Unidos, os incentivos para essa área ficam em torno de US$ 100 mil a US$ 150 mil. O apoio é para a construção do protótipo. Tenho convicção que o brasileiro poderá entrar na disputa pelos gadgets. Esse é um mercado em crescimento tanto que o Google está indo às compras", explicou o Secretário de Política de Informática do MCTI, Virgílio Almeida.

Nesta terça-feira, 28/05, o MCTI fez um balanço sobre o programa Startup Brasil, em coletiva de imprensa na capital paulista. De acordo com os dados revelados pelo ministério, até maio de 2014, a iniciativa já aportou R$ 35 milhões em startups no modelo de parceria pública-privada. Apesar da concentração ainda existir na região Sudeste, as aceleradoras ganham um sotaque nacional e há uma distribuição melhor, com unidades no Rio Grande do Sul, Nordeste e no Pará. No total há 12 aceleradoras selecionadas, com representantes em todas as regiões.

No total, 100 empresas já foram incentivadas no programa e R$ 20 milhões já foram investidos, dos R$ 40 milhões previstos para o final desse ano. Vítor Andrade, do Startup Brasil, informou que 650 empreendedores foram avaliados, com 1622 projetos submetidos, sendo 75% nacionais e 25% internacionais. Ao final, 118 startups foram aprovadas, mas ao final, 88 foram, efetivamente, apoiadas. Sendo que dessas, 78 brasileiras e 10 estrangeiras, apesar de 20 terem sido selecionadas. Estados Unidos e Argentina foram os países com maior proposta de adesão ao Startup Brasil. As áreas mais procuradas para as aplicações são o Varejo, Educação e Financeiro.

"Para as empresas estrangeiras o processo de localização é o mais complexo, por isso, apenas 10 decidiram ficar. Mas sa procura segue grande e a ideia é simplificar cada vez mais para garantir a vinda de empreendedores estrangeiros", explica Andrade. Com relação ao aporte financeiro, a média do governo ficou em R$ 184 mil e a da iniciativa privada, das aceleradoras, em R$ 37 mil. Com um equity, médio em torno de 7% a 10%. Somente seis startups fecharam acordo com as aceleradoras com índice acima de 15%.

Com relação à chamada pública que será lançada nesta quarta-feira, 28/05, o secretário da Sepin, Virgílio Almeida, fez questão de frisar. "Não estamos fazendo apenas um conjunto de editais. Estamos fomentando um ecossistema. Queremos fortalecer o empreendedorismo e já há trabalho dentro do próprio governo com a Apex e com a Relações Exteriores. Não vamos parar no apoio a 100, 200 startups. É a cultura do empreendedorismo que precisamos cuidar", sustenta.

Atração para brasileiros que vivem fora

Sobre o aporte financeiro feito pelo Startup Brasil, a média do governo ficou em R$ 184 mil e a da iniciativa privada, das aceleradoras, em R$ 37 mil. O programa prevê um aporte de até R$ 200 mil do governo e R$ 50 mil, das aceleradoras. Também se verificou um um equity, médio em torno de 7% a 10%. "Vimos que em relação aos dois maiores projetos de incentivo - o TechStars, dos EUA, e o YCombinator, da Europa - estamos muito próximos, já que eles têm valores de incentivos em torno de R$ 260 mil e equity entre 7% e 10%. Esse é o sinal que estamos avançando no caminho certo", afirma Rafael Moreira, responsável pelos programas de TI do MCTI.

Além da inclusão do hardware no novo edital, as novidades da chamada pública são o aumento de três para quatro anos para as empresas interessadas. "Foi um pedido que aceitamos. Assim abrimos mais o leque", explica Moreira. Uma questão também foi resolvida. Empresas já incentivadas pelas Aceleradoras selecionadas em programas próprios não poderão participar do Startup Brasil.

"Não achamos justo. O programa é para quem quer começar", acrescenta o executivo. Há também a novidade da inclusão dos brasileiros que residem no exterior há três anos de poderem participar das startups internacionais. "É uma forma de atrair a presença desses brasileiros que estão fora e querem apostar no Brasil", completa Rafael Moreira.

As empresas interessadas em participar da seleção poderão se inscrever para a próxima etapa do programa a partir de amanhã até o dia 14 de julho no site do Start-up Brasil. As 50 empresas escolhidas serão anunciadas no dia 01 de setembro.  No dia 15 de setembro uma nova rodada de inscrições será aberta seguindo o mesmo edital e com duração até 24 de outubro. As startups escolhidas na segunda rodada serão anunciadas no dia 17 de novembro.


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