OPINIÃO

Casa Inteligente: Um grande “filão” de negócio em Internet das Coisas

Por Eduardo Prado
06/10/2014 ... Convergência Digital

A famosa frase “Lar, Doce, Lar”  é utilizada quando alguém quer fazer referência ao lugar que se sente tranquilo e seguro para retornar ... o nosso “porto seguro”! Ela teve origem na versão inglesa Home, Sweet, Home  que é oriunda de uma música com mais de 150 anos de existência.

Nos tempos atuais, esse slogan vai se transformar nos próximos anos na variante “Lar, Inteligente, Lar” com o advento da “Casa Inteligente” (ou Smart Home) em função da tão “badalada” Internet das Coisas  (ou IoT = Internet of Things) (ver How the Internet of Things Will Change our World, Slideshare from Tyson Tuttle of Silicon Labs, 18.mar.2014). A IoT é uma das tecnologias que será  destaque nos próximos anos (ver Which Technologies Will Dominate in 2022?, Wired, 26.sep.2014 e What will our world look like in 2022?, IEEE, 25.sep.2014).

E se você gosta de dinheiro e anda buscando uma forma de ganhar o “famigerado dindin”, eis que você pode ter encontrado a solução! A julgar pelo que dizem os analistas de indústria, a “Casa Inteligente” é um grande “filão” para você apostar – e ganhar “umzinho” – com a IoT. O conceituado analista Gartner preconiza que daqui a oito anos uma “casa típica” terá mais de 500 dispositivos inteligentes (ver Gartner Says a Typical Family Home Could Contain More Than 500 Smart Devices by 2022, Gartner, 08.sep.2014). Ver mais aqui sobre o que o consumidor está adotando em IoT: The Internet of Things: The Future of Consumer Adoption, Acquity Group, 2014 [PDF Here].

De acordo com a referência Cloud Infographic – What Is The Internet of Things?, Cloud Tweaks, 03.sep.2014, os maiores mercados de IoT em termos de receita anual em 2020 (em bilhões de dólares) são os seguintes:

1.  Home Consumer = BUS$ 397,8
2.  Cities Industry = BUS$ 270,0
3.  Building Infrastructure = BUS$ 210,2
4.  Transport Mobility = BUS$ 76,1
5.  Health Body = BUS$ 48,7

Considerando que o segmento Cities Industry é um segmento de negócio público onde você teria que vender para Governos e participar de licitações públicas – e você não gosta desse nicho - sobram duas grandes opções para ganhar um “dindin” no segmento privado em IoT, a saber: Home Consumer  e  Building Infrastructure (ver Building Automation) Nessa matéria trataremos apenas o setor Home Consumer, que se relaciona ao mercado gigantesco de produtos para as residências “inteligentes” do futuro e é quase o dobro em tamanho ao negócio de Building Infrastructure.

A “Casa Inteligente” - que em sua forma mais básica é uma forma de habilitar vários dispositivos em torno da casa, como termostatos, iluminação e fechaduras - conectados à Internet e controlados através de um smartphone - vai ser um enorme  benefício para a acessibilidade. No entanto, na “Casa Inteligente” é necessário um monte de tecnologia para viabilizá-la. Há pouco tempo essa visão de futuro era proibitivamente cara (e muitas vezes excessivamente complexa), colocando-a fora do alcance de muitos. Isso está começando a mudar – existe ainda um caminha a percorrer! Aqui temos alguns exemplos de alguns dispositivos conectados que você poderia ter na sua “Casa Inteligente”: What’s in my house: Connected devices I’ve liked enough to buy, GigaOM, 04.jul.2014.

Mais recentemente uma série de novos produtos para a “Casa Inteligente” chegaram ao mercado, tanto através de empresas tradicionais de eletrônica de consumo e como através de startups, ajudadas pelo aumento do financiamento coletivo crowdfunding  via plataformas como o Kickstarter e IndieGoGo. Ao contrário dos sistemas domésticos inteligentes, tradicionalmente vendidos por especialistas em “Casas Inteligentes”, no entanto, essa nova geração de produtos tende a ocupar pequenos espaços, longe de uma abordagem integrada o que torna mais fácil (e mais barato) para colocar “um dedo” no grande negócio da “Casa Inteligente”.

A desvantagem clara desse approach é que os dispositivos isolados, pela sua própria natureza discreta, nem sempre “interagem” entre si, exigindo um aplicativo separado para cada um operar, e não são tão inteligentes quanto poderiam ser. Mas isso também está mudando! Vários players estão interessados no negócio de casa inteligente. Por razões óbvias grandes  “mamutes” da telefonia móvel – Apple, Google e Samsung – estão “babando” por esse grande “filão” (ver Why Apple, Google, and Samsung want to be inside your home, Venture Beat, 11.sep.2014).

Para os usuários do iOS, a Apple revelou o HomeKit (ver Referências do Google sobre HomeKit + Apple), sua própria plataforma - um pouco bloqueada - para integração de dispositivos de terceiros da “Casa Inteligente”, permitindo-lhes interagir uns com os outros, bem como com o Siri, que é o assistente pessoal da Apple. Aparentemente, o Apple Watch – anunciado em 09 de setembro último e que será lançado no início de 2015 – terá um papel importante no controle da “Casa Inteligente” na visão da Apple (ver What the Apple Watch tells us about Apple’s smart home plans, GigaOm, 10.sep.2014). Ver mais sobre o HomeKit aqui: How Apple HomeKit Is Already Changing The Smart Home Industry, Forbes Magazine, 08.sep.2014.

A empresa Nestadquirida em fevereiro de 2014 pelo Google - também está “abrindo as suas portas” através do seu programa de desenvolvedores “Works with Nest", o que posiciona o termostato Nest (ver vídeos em Nest Learning Thermostat) como o centro da “Casa Inteligente”, permitindo que outros aplicativos e dispositivos utilizem o sensor de movimento do termostato inteligente e alimente a sua auto-capacidade de aprendizagem.

Um outro player importante no cenário da “Casa Inteligente” é a Samsung. Essa empresa sul coreana está com muita gana nesse segmento e para comprovar isso recentemente adquiriu duas empresas nesse setor: a SmartThings (ver SmartThings CEO: We’re keeping the platform open after the Samsung buy, GigaOM, 15.aug.2014 e Samsung Bets on SmartThings Home Automation, Dailywireless, 18.aug.2014) e a Quietside – uma distribuidora norte-americana de ar condicionado (ver Samsung compra Quietside, El País, 19.ago.2014 e Samsung’s smart home push continues with purchase of HVAC maker Quietside, Ars Technica, 19.aug.2014). Ver aqui os anúncios da Samsung no setor de “Casa Inteligente” no recente show de eletrônica de consumo e eletrodomésticos da IFA de Berlim: Samsung: Smart homes arriving 'at speed we can barely imagine', CNET News, 05.sep.2014.

A Microsoft está presente – mas de forma “tímida” - no negócio de “Casa Inteligente” através de parceria com a Insteon (ver Microsoft gets into the home automation game with Insteon partnership, CNET News, 15.may.2014). A Microsoft lançou no final desse setembro a sua página de IoT.

Um outro player de menor porte é a empresa de crowdfunding de Nova York conhecida como Quirky que aposta em projetos de casa inteligente (ver Invention Machine Quirky Spins Out “Wink,” A New Business Focused On The Connected Home, Tech Crunch, 23.jun.2014). Também temos o serviço de “receita a la carte” de IoT - conhecido pelo acrônimo inusitado de IFTTT (If This Then That) – que está também fazendo um bom trabalho proporcionando algum grau de interoperabilidade entre dispositivos inteligentes. A empresa IFTTT foi muito “badalada” recentemente em função do interesse dos investidores na sua última rodada de captação de recursos (ver Andreessen Horowitz, Norwest pour $30M into Internet of Things startup, Silicon Valley Business Journal, 28.aug.2014  e  With $30 Million More in Hand, IFTTT Looks to the Internet of Things, The New York Times, 28.aug.2014).

Além dos fornecedores de sistemas que vimos acima, outras empresas estão apostando no setor da casa inteligente. Com destaque temos as empresas de iluminação Philips e LIFX e a empresa de dispositivos eletrônicos Belkin

Adicionalmente a esses players temos outros bastante interessados nesse “filão” notadamente as operadoras de telefonia móvel. Ver aqui mais interessados nesse negócio: There are many paths to a smart home. And that’s the problem, GigaOM, 27.jul.2014.

O mercado de varejo americano que “de bobo não tem nada” está “doido surfar nessa onda” da “Casa Inteligente” e, vai surfar com certeza! A rede Staples de material de escritório já vem com sua linha “Connect” com o sloganAutomate your home or office with one hub and one app”. A cadeia varejista Home Depot vem focada em uma oferta de “Automação Residencial” em parceria com a startup Wink (ver Simplify Home Automation with the Wink App). O grupo varejista Best Buy  tem a oferta Connected Home. E finalmente a rede Target tem a oferta Smart Home. Para termos mais exemplos desse negócio fora do Brasil, essa matéria pode também ajudar ao consumidor na compra (e nos locais) das “traquitanas” de IoT para a sua “Casa Inteligente”: Where Will You Buy The Internet Of Things?, Forbes Magazine, 29.sep.2014.

No Brasil – para variar – o mercado ainda precisa acordar e enfrentar “os famosos” impostos brasileiros no primeiro momento com a importação de dispositivos para a “Casa Inteligente” desde que nossa capacidade inovadora é pobre! Existem atualmente alguns micro-computadores que poderiam estimular a nossa capacidade “inovadora” (como Arduino ou Raspberry Pi) mas a nossa capacidade de transformar “boas idéias” em negócios de sucesso ainda é muito limitada! (ver Referências do Google em: Raspberry Pi + “Internet of Things” e Arduino + “Internet of Things”). 

E enquanto você está se organizando para entrar nesse negócio da “Casa Inteligente”, mais gente está se movimentando nos últimos momentos para entrar nesse negócio: [a] o “mamute” Amazon anunciou o interesse no “filão” (ver Amazon to invest US$55m to create internet of things smart home gadgets, Silicon Republic, 24.sep.2014 e Secretive Amazon Lab To Develop Wearables and Household Devices, Fast Company, 25.sep.2014); [b] o importante player dos teclados Logitech também está “mergulhando” no nicho de automação residencial (ver Logitech invests in the smart home with Harmony remote and hub, GigaOM, 17.sep.2014); e [c] e por último a empresa britânica – líder do mercado de chips para celulares – a ARM Holdings também está interessada no negócio de “Casa Inteligente” (ver ARM Holdings unveils new processor for connected homes, factories, Reuters, 24.sep.2014).

E sobre as dificuldades …

E para não dizer que só “falamos de flores”, preste bem atenção ... segundo alguns, o negócio de “Casa Inteligente” não é um tema trivial, a saber: pode ainda não ser algo barato; tem problemas na interação dos dispositivos (como você já sabe não existe um protocolo padrão de IoT); tem problemas de segurança onde os hackers poderiam acessar os seus sistemas (e sua privacidade); os dispositivos não são necessariamente de fácil operação, entre outras dificuldades. Ver mais sobre essa “via crucis” aqui: One day our homes will be smart, but we have a long way to go. Here’s how we’ll get there, GigaOM, 28.sep.2014. E também ver no site Convergência Digital: (a) sobre a segurança e privacidade em IoT: Internet das Coisas vai obrigar mudanças no Marco Civil da Internet, 09.set.2014 e (b) sobre ausência de protocolo padrão em IoT: Internet das Coisas: Uma “Babel” de Protocolos!, 23.set.2014.

Apesar das dificuldades envolvidas com o tema “Casa Inteligente” acreditamos – que se bem “tratado” e estruturado – pode ser um “filão” para se ganhar dinheiro. O tamanho do mercado é desafiador ... Tem fé Tomé!

Eduardo Prado é consultor de mercado em novos negócios, inovação e tendências em Mobilidade e Convergência.
E-mail: eprado.sc@gmail.com
Twitter: https://twitter.com/eprado_melo

Outras matérias do autor aqui:
Teleco
http://www.teleco.com.br/colaborador/eduardoprado.asp
Convergência Digital
http://convergenciadigital.uol.com.br/eduardoprado/


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