OPINIÃO

CEO por que você não remodela o seu negócio em torno da Internet das Coisas?

Por Eduardo Prado *
19/05/2015 ... Convergência Digital

No nordeste nós costumamos chamar de “cabra da peste” algumas figuras muito “destemidas” com a coragem a toda prova. Nós diríamos que um CEO de uma organização com a coragem de remodelar a sua organização focando no negócio de Internet das Coisas (IoT = Internet of Things) é no mínimo ... um “cabra da peste” para valer!

E, agora, eis que temos um “cabra da peste” direto da Alemanha que é o Sr. Volkmar Denner (Bosch, CEO) que diz que vai fazer uma reformulação na empresa dele através da IoT (ver Bosch CEO Remakes Company Around ‘Internet of Things’, Wall Street Journal, 11.may.2015). Veja a página de Inovação da Bosch e, também, ouça o “moço” falando aqui para ver um pouco do que ele está fazendo na Bosch: Video: From Hype to Business Success in a ConnectedWorld, Dr. Volkmar Denner, Bosch ConnectedWorld 2015, February 2015. Adicionalmente ver outros vídeos da Bosch ConnectedWorld 2015, February 17-18 February, 2015.

Eu diria que o cara é muito corajoso, mas também visionário e um bom estrategista. Particularmente acredito que terá sucesso na aposta dele! Hoje em dia, existem muitos CEOs que ainda não “enxergaram” a transformação que a IoT vai fazer no mercado e, que as suas organizações podem auferir novas receitas em diferentes (e novos) nichos de negócio. É necessário um processo de “evangelização” empresarial para poder explorar as novas oportunidades!

IoT é um negócio muito amplo e com vários nichos para se inovar e ganhar “dinheiro” mas ... vai depender a sagacidade estratégica dos CEOs das empresas. Hoje nós temos uma gama muito abrangente de grandes empresas que estão apostando nas oportunidades de IoT (p. ex. citando algumas temos Intel, Cisco, General Electric (GE), Bosch, Jonhson Controls, Schneider Electric, Samsung, IBM, Microsoft, Oracle, SAP, Qualcomm, Itron, etc, etc). Aqui você pode ver a abrangência da IoT: Saiba como a Internet das Coisas vai impactar a sua vida, Convergência Digital, 27.ago.2014. Ver também mais sobre o ecossistema de IoT: Ecosystem + “Internet of Things”.

Mr. Denner está apostando que o futuro da sua empresa - um dos maiores conglomerados privados do mundo, com produtos que abrangem de eletrodomésticos a autopeças e de ferramentas industriais a sistemas de monitoramento - depende da "Internet das Coisas". Ele deseja conectar os objetos do dia-a-dia e dispositivos através da Internet, alimentando o surgimento das “smart homes” e dos carros conectados.

E ele quer digitalizar a fabricação da Bosch em fábricas "inteligentes". Ponha ambição no “moço” mas, com certeza, tem uma grande visão estratégica! Ver as seguinte matérias do Convergência Digital para entender mais de IoT, a saber: Cidades Inteligentes (A Internet das Coisas terá um papel fundamental nas Cidades Inteligentes, 01.abr.2015), Casas Inteligentes (Casa Inteligente: Um grande “filão” de negócio em Internet das Coisas, 06.out.2014), Eletrodomésticos do Futuro (Como será o seu eletrodoméstico na época da Internet das Coisas?, 19.jan.2015) e Carro Conectado ("Carro Conectado": Você ainda vai ter o seu!, 13.mar.2014).

A competição no ambiente de IoT não será pequena. Tem muita gente interessada no “assunto” (ver Qualcomm reveals its plan to take over the Internet of Things, Mashable, 14.may.2015). Cabe também destacar as empresas Intel (destaque para seus dispositivos Wearables e sua Plataforma de IoT) e a Cisco (destaque para a sua excelente visão na exploração de novos serviços em IoT e os seus Centros de Inovação pelo mundo afora incluindo o do Rio de Janeiro no Brasil).

O faturamento da Bosch em 2014 foi de 54,7 BUS$. Nessa sua nova “jornada” de IoT, a empresa está apostando também no desenvolvimento de software. A parte de software no ecossistema de IoT é muito importante. A Bosch divulgou em fevereiro de 2015 que iria adquirir de ProSyst Software GmbH de Cologne, uma empresa 110 profissionais que desenvolve software para dispositivos inteligentes. A Bosch divulgou em março desse ano que iria recrutar cerca de 12.000 novos funcionários, um "número crescente" deles para o seu negócio de software. A empresa tem agora 3.000 engenheiros de software que trabalham em Internet das Coisas.

Esses codificadores não farão apenas a programação para a Bosch. Mr. Denner visa promover sua empresa através da criação de plataformas de software que outros podem facilmente acessar e adaptar. A empresa alemã, junto com a gigante de redes Cisco Systems Inc. e a empresa de engenharia suíça ABB estabeleceram em 2014 a Mozaiq Operations GmbH, uma joint venture que está projetando uma plataforma de software aberta para dispositivos de “smart home” e aplicações.

Mr. Denner diz que "tudo o que fazemos neste mundo conectado tem que ser aberto". O “cabra” não é nada bobo! Qual é a sacada do “moço” aqui: software é um componente muito importante no cenário de IoT. Para a IoT ser útil, os dispositivos que fazem essa malha devem estar conectados na “nuvem”. A forma de se fazer isso é via APIs  (Application programming interface) que é fundamentalmente software (ver APIs Power the Internet of Things, Nordic APIs, 05.jan.2015  e  How APIs Are Disrupting The Way We Think, Nordic APIs, 30.abr.2015). Essa é a diferença de CEO com visão e “aqueles” sem visão! Pois é, tem fé Tomé você pode chegar lá! Desenvolvimento de software em IoT é um grande filão!

A Bosch também está atuando na área de Big Data. Ela desenvolveu sua própria plataforma de software para fábricas inteligentes, chamada IOT Suite, que permite às empresas conectar máquinas de produção em uma “nuvem” segura e tirar proveito de sua aplicação de processamento de "Big Data” para analisar grandes quantidades de dados gerados. Um ponto forte para a Bosch (em relação a competidores de Internet Industrial como a General Electric e a alemã SAP) é que a sua abordagem abrange o "espectro inteiro" - potencialmente desde a análise de uma máquina inteligente de lavar louça de cozinha até as máquinas das fábricas montadas pela Bosch. A maioria dos esforços dos concorrentes concentra apenas na fabricação.

Acreditamos que pelo fato do Carro Conectado ser um grande gerador de “dados” (ver Carro do futuro vai gerar 25 GB de dados por hora. Gerenciamento é desafio da Ford, IT Forum 365, 13.mai.2015) e, a Bosch ser um forte “player” nesse segmento de IoT, ela também vai querer atuar em “big data” nesse novo nicho! A Ford tem muito interesse nesse negócio de “big data” automobilístico.

A Alemanha está liderando uma iniciativa público-privada conhecida conhecida como  "Industrie 4.0", que procura trazer uma "quarta revolução industrial" através da ligação à Internet das Coisas ao ponto forte economia da Alemanha que é a fabricação industrial (ver Industry 4.0, a strategy for Europe?, i2Cat, 05.feb.2015 e Smart Factory: Industry 4.0 the German vision for advanced manufacturing, i2Cat, 2013).

O movimento "Industrie 4.0” é um foco importante para o governo alemão e de enorme importância para o país germânico como uma base de fabricação. Essa é a diferença de um Governo que tem visão estratégica de futuro. A Alemanha já está utilizando a IoT para definir um novo “padrão” industrial. Dá-lhe “São Bernardo do Campo” (scic!).  Esse movimento inclui as principais indústrias alemãs e visa reforçar a indústria daquele país contra os avanços industrias dos EUA e dos produtos mais baratos oriundos dos mercados emergentes.

Apesar de tudo, em 2014, a Bosch irritou o Governo alemão quando se tornou a primeira empresa alemã a se engajar em uma iniciativa semelhante ao "Industrie 4.0” alemã, liderada pelos EUA e conhecida com Internet Industrial Consortium (IIC) fundada por empresas amercainas incluindo a General Electric (GE) e a Cisco. Mr. Denner disse que a “Industrie 4.0” e o consórcio IIC são ambos válidos para a Bosch. A “Industrie 4.0” tem focado em criar padrões comuns e, o consórcio americano é mais pragmático e tem projetado focar em experimentos.

Além das áreas de Casa Inteligente, Carro Conectado, Automação da Manufatura, Desenvolvimento de Software e “Big Data” que claramente a Bosch está atuando em IoT, ela também é muito forte no segmento de sensores MEMS (Microelectromechanical systems). Os sensores são uma parte crucial do negócio de IoT pois coleta informações e atua no mundo físico das “coisas” (ver Internet das Coisas: O charme dos sensores, Convergência Digital, 23.out.2014).

Mr. Denner considera que a questão de quem vai governar a Internet Industrial continua em aberto. "Não é um dado que as empresas com foco em TI que não têm presença no mundo físico vão dominar aquelas empresas que possuem presença no mundo físico e [que estão se movendo] para o mundo em rede IP ... IoT não é um jogo de “pegar”. É um jogo novo", disse ele.

As novas oportunidade em IoT serão desafiadoras e proporcionarão muito espaço para todos aqueles que tiverem uma visão estratégica (e coragem para inovar – de fato). Boa sorte CEOs!

* Eduardo Prado é consultor de mercado em novos negócios, inovação e tendências em Mobilidade, Convergência e Big Data em Saúde.
E-mail: eprado.sc@gmail.com
Twitter: https://twitter.com/eprado_melo
Outras matérias do autor aqui:
Teleco: http://www.teleco.com.br/colaborador/eduardoprado.asp
Convergência Digital: http://convergenciadigital.uol.com.br/eduardoprado/


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