INTERNET

Medidas favorecem a adoção e IPv6 dispara no Brasil

Luís Osvaldo Grossmann ... 07/12/2015 ... Convergência Digital

O empurrão funcionou. Os indicadores sobre o tráfego internet mostram que a preparação para o novo protocolo de endereçamento na rede deu um saldo no Brasil em 2015, conforme acertado entre Anatel, NIC.br e operadoras de telecomunicações. O percentual de usuários IPv6 que era de 0,1% quando o ano começou chega a dezembro em 6,42%.

Se o percentual parece pequeno (a média no planeta é 24,7%), é a leitura do lado dos usuários. Mais importante é que a preparação das redes disparou ainda mais e já chegou a 52,4% dos sistemas autônomos. Entre os conteúdos, medida a partir da quantidade de sites na web que suportam o novo endereço, a preparação é de 58,5%.

“O usuário não tem que se preocupar muito. Temos é que saber atender quando vier com IPv6. Novos usuários, novos serviços, nova população, como não tem mais IPv4, vão chegar falando IPv6. Um dia talvez a nova língua seja única. Mas a preocupação não é que todos falem só IPv6, mas que esses novos entrantes sejam atendidos, de forma bilíngue, até para que não encontrem ‘meia’ internet”, explica o presidente do NIC.br, Demi Getschko.

E isso os indicadores sugerem que está avançando. No geral, pela forma como medida pela Cisco (que tem um projeto específico, 6lab), a preparação do Brasil é de 27,6% (uma média daqueles percentuais). A Bélgica lidera (53%), seguida pela Suíça (47%), Alemanha (43%), Luxemburgo e Estados Unidos (39%).

“O crescimento grande em 2015 coincide com medidas na certificação de equipamentos”, destacou Rodrigo Zerbone, da Anatel, ao também discutir o tema em audiência realizada nesta segunda, 7/12, no Conselho de Comunicação Social do Congresso Nacional. “Mantida a curva, em breve teremos aumento substancial no índice de preparação, principalmente dos usuários finais no Brasil.”

Ainda em 2014, Anatel, NIC.br e teles discutiram como ‘incentivar’ a preparação, o que resultou em um calendário de certificação de equipamentos a partir do qual apenas os habilitados ao IPv6 receberão o ok do regulador. Paralelamente as principais redes se comprometeram com datas. E até o governo criou um cronograma para os conteúdos de e-gov.

Mas se o cenário mudou bastante, há ainda encrencas pela frente. Para começar, há um universo de aparelhos legados ainda disponível no varejo. “Temos no mercado equipamentos que só operam em IPv4. E é exatamente isso que a Anatel quer atacar ao formatar normas especificas de certificação”, diz o conselheiro. Difícil é impedir a venda de aparelhos que só operem em IPv6.

“O desafio mais próximo são os equipamentos terminais da telefonia móvel, o que tem que ser visto com muita cautela porque forçar implementações pode excluir parte da população do sistema, ao tirar equipamentos mais acessíveis, mais baratos, que só operam em ipv4. Se a Anatel não se atentar para essas questões, só teria equipamentos muito caros no mercado”, completou Zerbone.


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