TELECOM

Correios espera ter 8 milhões de clientes pré-pagos em cinco anos

Luís Osvaldo Grossmann ... 17/05/2016 ... Convergência Digital

Quatro anos depois, parece que os Correios vão mesmo conseguir lançar-se como operadora celular. Foram várias idas e vindas, mas foi definido nesta terça-feira, 17/5, em seleção pública, quem será o parceiro no empreendimento. O plano é colocar os primeiros chips na praça no primeiro trimestre de 2017. 

A disputa estava entre a Claro e a MVNE Surf Telecom, antiga EUTV, que começou vendendo celulares com recepção de televisão mas passou a apostar no negócio de operadora virtual. A Claro acabou ficando de fora depois de apresentar uma proposta com valores abaixo do mínimo estipulado no edital.

Ele previa uma remuneração mínima aos Correios de R$ 4 por chip vendido, além de 7,5% sobre outras receitas e 2,5% de cada recarga. Pelas projeções, isso significaria R$ 282 milhões em cinco anos. A Surf ofereceu R$ 4,50 por chip, 9% sobre demais vendas, sendo 2,6% nas recargas. São R$ 297,6 milhões em cinco anos, ou 17,9% de ágio. 

Ao menos de início, o plano é ficar no mercado de serviços pré-pagos. As projeções são de 1 milhão de chips vendidos no primeiro ano, mantendo uma base média de 500 mil clientes. As expectativas são de crescimento ano a ano nessa base média, passando para 1,5 milhão em 2018; 3 milhões em 2019; 5,5 milhões em 2020 e 8 milhões em 2012. 

Os números tomam por base dois estudos feitos ao longo de um caminho que começou há pelo menos quatro anos, quando em 2012 os Correios já admitiam o interesse nesse mercado. Inicialmente a ideia era fazer uma joint-venture com os correios da Itália, em um plano que chegou a ser anunciado em 2014 mas acabou abortado no fim daquele mesmo ano. 

Ainda assim, um estudo feito pelos italianos e outro contratado pelos Correios sustentam as projeções, como a venda de 1 milhão de chips já no primeiro ano e a meta de 8 milhões de clientes em cinco anos. Na verdade, os números são considerados tímidos. A aposta é de que o nome e os 12 mil pontos de venda dos Correios terão sucesso em ficar com uma parcela dos clientes insatisfeitos – o churn no Brasil flutua entre 3% e 5% ao mês, algo entre 8 milhões a 13 milhões de usuários. 

As receitas dos Correios com esse acerto serão mensais, tomando-se por base as vendas e o universo de clientes. Mas elas até aqui ainda não levam em conta a ideia de expandir os serviços e combinar a telefonia móvel com, por exemplo, o Banco Postal. A conta é de que aqueles 12 mil pontos de venda serão responsáveis por 80% das vendas dessa nova MVNO, uma grande porteira para receitas adicionais com outros serviços. 

O presidente da comissão especial de seleção dos Correios, Ara Minassian, explica que a operação deverá ser disponibilizada gradativamente em todo o território nacional, nos municípios onde a EUTV [Surf Telecom] tiver disponibilidade de rede própria ou de seu parceiro TIM. Ele também acredita que o negócio é estratégico para a estatal e, por isso, as mudanças na direção, decorrência direta da troca de governo, não mudarão os planos.

Em tempo, o setor de telecom usa jargões em inglês como MVNO e MVNE para designar as empresas desse mercado de operadoras virtuais. MVN é para Mobile Virtual Network (ou rede móvel virtual), enquanto o O é para Operator e E para Enabler, ou seja, quem articula a formação de MVNOs. Daí o papel da Surf Telecom, que espera lançar ainda este ano outros dois serviços semelhantes, para nichos específicos. 

Esse tipo de serviço, nos quais a MVNO se vale de uma infraestrutura de rede já existente – no caso da Surf Telecom, com o uso da rede da TIM – é relativamente novo no Brasil. As regras para esse serviço existem desde o fim de 2010, mas até aqui há apenas três grupos efetivamente no mercado (Datora, Porto Seguro e Terapar), que por enquanto reúnem somente 418 mil clientes. A operação entre Correios e Surf Telecom ainda precisa ser aprovada pela Anatel. 


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