INOVAÇÃO

BrPhotonics se capitaliza para ficar no seleto grupo produtor de chips ópticos

Ana Paula Lobo ... 01/08/2016 ... Convergência Digital

A BrPhononics, empresa resultado de uma joint-venture entre o CPqD e a norte americana GigOptix, fundada há dois anos é a maior esperança para produção de chips e componentes no Brasil. A empresa, que já está vendendo para o exterior uma linha de produtos de teste e medição de chips, recebeu o aporte de R$ 15 milhões da FINEP, agência de fomento do MCTIC, que passa a ficar com 25% do capital acionário da empresa. E para cumprir as metas estabelecidas no projeto, já está desenhando uma nova rodada de investimentos. E o alvo é o mercado privado.

"Não queremos ser uma empresa pública. Achamos que temos condições de ser uma empresa privada de chips do Brasil, mas não pensando em atender tão somente a demanda interna do país. O nosso plano é exportar mesmo. É ampliar a relação com países como Estados Unidos, Irlanda e Alemanha. Já articulamos uma nova rodada de investimentos para ampliarmos a capacidade da fábrica - que hoje é de produção de 12 mil a 15 mil dispositivos ópticos em 2018", revela em entrevista ao portal Convergência Digital, o presidente da BrPhotonics, Júlio César Rodrigues de Oliveira.

A crise afetou o plano inicial - o próprio investimento da FINEP era previsto para sair no final do ano passado e só foi liberado em maio deste ano, mas não foi capaz de paralisar o projeto. "Há uma demanda por data centers e big data e as operadoras de telecomunicações também precisam qualificar suas compras de dispositivos ópticos. Nós não vendemos direto, mas as empresas que produzem equipamentos como DWDM, que aumenta a capacidade da fibra óptica, nos demandam", explica Oliveira.

Aqui no Brasil, os dispositivos fotônicos e microeletrônicos já foram adquiridos por universidades e a empesa planeja fechar 2016 com um faturamento de R$ 6 milhões. Para 2017, esse montante sobe para R$ 25 milhões. O aporte da FINEP acelera a fase de qualificação dos produtos junto à Telcordia, órgão internacional. Até dezembro, esse processo será finalizado e com esses certificados, o próximo passo será incrementar a produção local efetivamente.

"Vamos chegar a 3000 dispositivos produzidos até o fim de 2017. Para chegarmos a 10 mil precisaremos de mais investimentos como já falamos. O nosso objetivo é colocar a fábrica funcionando em dois turnos e ampliar o seu tamanho", reforça Oliveira. Os principais produtos da BrPhotonics são os dispositivos fotônicos integrados, modulador, em substrato de polímero e em silício, o receptor em silício, e o laser sintonizável de cavidade externa.

Entre os dispositivos fotônicos integrados, alguns modelos já estão em comercialização; outros se encontram em fase final de desenvolvimento ou qualificação.  O portfólio da BrPhotonics inclui ainda os blocos de propriedade intelectual (IPs), que representam algoritmos responsáveis por habilitar a transmissão e recepção óptica para sistemas coerentes, em formatos adequados à utilização em chips microeletrônicos. O licenciamento e a integração desses IPs também já fazem parte do conjunto de produtos atualmente em comercialização, de modo a promover, de forma consistente, a convergência fotônica-microeletrônica.

As instalações industriais da BrP, inauguradas no ano passado, são responsáveis pelo processamento e alinhamento de chips fotônicos destinados à utilização em sistemas ópticos de alta velocidade (de 100 Gb/s a 1 Tb/s), em redes de fibra óptica de longa distância ou metropolitanas (metro) e para prover conectividade em cloud computing. Para produzir esses componentes, foram montadas áreas limpas classe 100 (onde são fabricados os chips fotônicos) e classe 10.000 (que abriga a infraestrutura de empacotamento desses componentes).


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