OPINIÃO

Testes de qualidade de software: produtividade e redução de custos

Por Henrique César de Conti *
29/03/2017 ... Convergência Digital

O desenvolvimento social e econômico das empresas e das nações requer, cada vez mais, preocupação com eficácia e custos. Diferentemente do que ocorria no século passado, hoje é pequena a tolerância com pouca eficiência e baixa produtividade. Nas empresas, a produtividade é chave para a sobrevivência. Os governos, por seu lado, sofrem a cobrança dos cidadãos por melhores resultados e redução de gastos, além de transparência.

As TIC – Tecnologias de Informação e Comunicação – são essenciais para qualquer atividade econômica ou serviço governamental e, assim, fator relevante de custo para toda organização. Com a importância crescente que adquiriram nas últimas décadas, é natural que a preocupação com eficiência se acentue nesse cenário.

Um estudo publicado pelo NIST – National Institute of Standards and Techonology – (*1), instituto que cuida de padrões nos EUA, mostra que a falta de testes realizados com infraestrutura e processos adequados, além de prejuízos à reputação e perda de negócios, é causa de prejuízos financeiros diretos nos diversos setores da indústria e da prestação de serviços.

Como exemplo, a indústria aeroespacial teve perdas de cerca de US$ 2,5 bilhões em cinco projetos executados entre 1993 e 1999, por falta de qualidade do software; no setor financeiro, a economia que poderia ter sido gerada com testes adequados de software foi estimada em US$ 1,5 bilhão e os defeitos de software haviam causado problemas a cerca de dois terços dos usuários dos serviços.

Isso se repete em diversos segmentos, o que gerou um impacto no PIB dos EUA estimado em US$ 22,2 bilhões, no final do século passado. Assim, cerca de 0,2% do PIB poderia ter sido economizado caso houvesse infraestruturas adequadas de testes de qualidade de software.

Esse estudo traz ainda outros dados importantes. As organizações vêm aumentando seus investimentos em testes de qualidade de software. As atividades de testes, que consumiam apenas cerca de 10% dos custos do desenvolvimento nas décadas 1960-70 e se resumiam a testes de integração e de sistemas, passaram a ser executadas desde a fase de codificação e a responder por cerca de 30% do valor gasto no desenvolvimento, na década 1990 – e, podemos afirmar, adquiriram ainda mais importância no século XXI, em que a abrangência dos testes aumentou e pode se iniciar já na fase de especificação de requisitos.

Esse aumento de importância certamente se explica por outro dado constante do documento: a detecção precoce do defeito reduz o custo de correção. Como exemplo, a correção de um erro gerado na fase de especificação de requisitos custa cerca de trinta vezes mais se ele for detectado apenas quando o sistema for colocado em produção. Se percebido rapidamente, não se propagará pelas demais fases do desenvolvimento.

No Brasil, nota-se também a preocupação crescente com a qualidade de software e com a detecção precoce dos erros, tanto nas empresas, quanto nos governos, os quais já têm a prática de contratar fábricas de software de terceiros (como commodities) para codificação de seus sistemas de informação. Além da separação das atividades de desenvolvimento das de testes – que as boas práticas recomendam sejam feitas por entidades distintas –, há a clara tendência de que os testes abranjam todas as fases do desenvolvimento e com processos e recursos adequados.

É importante essa tendência, pois podem ser feitos diferentes testes, adequados a cada uma das fases do desenvolvimento de um sistema: especificação dos requisitos, arquitetura do sistema, codificação, na própria fase de testes, na aceitação do sistema e ainda na fase de manutenção, posterior à implantação. Esses testes devem ser feitos por organização e equipe capacitadas, de acordo com práticas e processos cuidadosamente especificados e de forma que seus resultados se reflitam no aperfeiçoamento dos processos de desenvolvimento.

Ao adotarem tempestivamente essas práticas, as empresas e os órgãos públicos conseguirão atender melhor aos seus clientes e aos cidadãos, obter impacto positivo em sua imagem, criar ambiente propício para a geração de novos negócios e promover a redução de seus custos e o aumento de competitividade própria e da economia, coisas tão necessárias nestes tempos de recursos escassos.

(*1) Planning Report 02-3 – The Economic Impact of Inadequate Infrastructure for Software Testing; NIST, May 2002

* Henrique César de Conti é Engenheiro Eletrônico, M.Sc. em Sistemas Digitais e MBA em Estratégia Empresarial e Diretor de Consultoria da BRISA - henrique.conti@brisabr.com.br - www.brisabr.com.br


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