INTERNET

Facebook assume que o uso indevido de dados atingiu 87 milhões de pessoas

Luís Osvaldo Grossmann ... 04/04/2018 ... Convergência Digital

O Facebook revelou nesta quarta, 4/4, que o uso de dados de seus clientes pela empresa Cambridge Analytica foi bem mais amplo que o inicialmente divulgado. No lugar dos 50 milhões de usuários afetados, um novo posicionamento da rede social indica que o número chega a 87 milhões. O Brasil aparece como oitavo país mais afetado, com 443 mil usuários.

A informação está lá no fim de um comunicado divulgado pela rede social que lista promessas de mudanças que supostamente restringem o uso de APIs – ou seja, as interfaces pelas quais são extraídos os dados relativos aos usuários dos Facebook.

Por exemplo, o Facebook diz que não vai mais permitir que desenvolvedores utilizem APIs para acessar a lista de convidados a eventos marcados pela rede social. “Apenas apps que sejam aprovados por nós e concordem com exigências estritas serão autorizados a usar a Events API”, diz o CTO do Facebook, Mike Schroepfer, em postagem nesta quarta.

Também será exigida a autorização da rede social para que terceiros desenvolvedores usem a API ‘Groups’. “Apps não mais serão capazes de acessar a lista de membros de um grupo. Também estamos removendo informações pessoais, como nome e foto de perfil, associadas a posts ou comentários que aplicativos aprovados podem acessar”, diz o CTO.

Outra medida impede acesso a informações pessoais como ponto de vista religioso, afiliação política, relacionamentos, lista de amigos, livros lidos, músicas ouvidas, etc em perfis que já tenham passado por três meses de inatividade.

E conclui informando que “acreditamos que informações do Facebook de até 87 milhões de pessoas – a maioria nos EUA – podem ter sido impropriamente compartilhadas com a Cambridge Analytica”. A empresa diz ainda esperar “que as mudanças protejam melhor as informações das pessoas”.


Perícia digital: Disputa judicial exige mais prazo de armazenamento de dados

"Conflitos judiciais levam mais tempo que o exigido das empresas para armazenamento das informações. Com dados, não há anonimato na Internet", observa João Alberto Matos, do Pio Tamassia Advocacia. Fake News e perfis falsos nas redes sociais mobilizam a maior parte das perícias digitais.

MPF investiga Facebook por prestar informação falsa e descumprir ordem judicial

Para o Ministério Público, “a atitude mostra desrespeito aos Poderes da República Federativa do Brasil". Facebook tem 30 dias para dar esclarecimentos.

Brasileiro precisa entender que os dados valem muito dinheiro

Professor Luca Belli, da FGV/RJ, diz que o Brasil tem 210 milhões de produtores de dados e pode ter uma vantagem competitiva em Inteligência Artificial. "Mas a hora é de abrir a caixa preta e entender os critérios usados na tomada de decisão", observa. Sobre a LGPD, o especialista é taxativo: sem Autoridade de Dados, a legislação não 'pega'.

Autoridade de Dados tem de ser independente, técnica e sem controle do Estado

"Não haverá Lei de Proteção de Dados sem a Autoridade, mas não podemos ter essa entidade ligada à Casa Civil, ao Ministério da Justiça ou ao CGI. Ela vai fiscalizar a iniciativa privada e o poder público. Precisa ter independência", adverte Carlos Affonso de Souza, do ITS/Rio de Janeiro.

Brasil soma quase sete mil provedores de Internet

Pesquisa TIC Provedores 2017, feita pelo CGI.br, mostra ainda que os ISPs são os fomentadores da fibra óptica no País. Maior parte dos provedores é pequeno e oferecem até 1000 acessos. Os grandes provedores respondem por 2%, mas atendem a 80% do mercado.

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