INTERNET

Abuso de dados do Facebook afetou “muito mais que 87 milhões” de usuários

Convergência Digital* ... 17/04/2018 ... Convergência Digital

Quando estourou, novamente, a atual polêmica sobre o uso indevido de dados de usuários do Facebook, uma conta rápida foi de que o abuso afetou cerca de 50 milhões de perfis na rede social. Depois, o próprio Facebook corrigiu o número para 87 milhões, sendo mais de 400 mil no Brasil. Mas como costuma ocorrer em casos de vazamento/roubo/mau uso de dados, neste também o impacto parece ser maior.
Ou assim afirmou nesta terça, 17/4, uma ex-funcionária da empresa de análise de dados Cambridge Analytica. Em depoimento à Câmara dos Comuns, no Reino Unido, Brittany Kaiser indicou que a empresa, que está no centro do novo escândalo de uso de dados sem conhecimento dos usuários, tinha várias outras ferramentas para extração de informações do Facebook, embora a celeuma atual centre fogo no app desenvolvido pelo cientista de dados Aleksandr Kogan.
“Não conheço as especificidades desses levantamentos ou como os dados foram adquiridos e processados. Mas acredito ser quase certo que o número de usuários do Facebook que tiveram dados comprometidos por meios similares aos de Kogan é muito maior que 87 milhões, e que tanto a Cambridge Analytica como outras empresas não relacionadas estavam envolvidas nessas atividades”, afirmou Brittany Kaiser à comissão de assuntos digitais, cultura e mídia do parlamento britânico.
Segundo o jornal inglês The Guardian, o Facebook informou estar “investigando quais apps tiveram acesso a grandes quantidades de informação antes das mudanças na plataforma que reduziram dramaticamente o acesso a dados em 2014”. Diz ainda a rede social que “vai conduzir uma completa auditoria de qualquer aplicativo com atividade suspeita. Se encontrarmos desenvolvedores que fizeram mau uso de informações pessoais identificáveis, vamos bani-los e contar a todos os afetados”.


Perícia digital: Disputa judicial exige mais prazo de armazenamento de dados

"Conflitos judiciais levam mais tempo que o exigido das empresas para armazenamento das informações. Com dados, não há anonimato na Internet", observa João Alberto Matos, do Pio Tamassia Advocacia. Fake News e perfis falsos nas redes sociais mobilizam a maior parte das perícias digitais.

MPF investiga Facebook por prestar informação falsa e descumprir ordem judicial

Para o Ministério Público, “a atitude mostra desrespeito aos Poderes da República Federativa do Brasil". Facebook tem 30 dias para dar esclarecimentos.

Brasileiro precisa entender que os dados valem muito dinheiro

Professor Luca Belli, da FGV/RJ, diz que o Brasil tem 210 milhões de produtores de dados e pode ter uma vantagem competitiva em Inteligência Artificial. "Mas a hora é de abrir a caixa preta e entender os critérios usados na tomada de decisão", observa. Sobre a LGPD, o especialista é taxativo: sem Autoridade de Dados, a legislação não 'pega'.

Autoridade de Dados tem de ser independente, técnica e sem controle do Estado

"Não haverá Lei de Proteção de Dados sem a Autoridade, mas não podemos ter essa entidade ligada à Casa Civil, ao Ministério da Justiça ou ao CGI. Ela vai fiscalizar a iniciativa privada e o poder público. Precisa ter independência", adverte Carlos Affonso de Souza, do ITS/Rio de Janeiro.

Brasil soma quase sete mil provedores de Internet

Pesquisa TIC Provedores 2017, feita pelo CGI.br, mostra ainda que os ISPs são os fomentadores da fibra óptica no País. Maior parte dos provedores é pequeno e oferecem até 1000 acessos. Os grandes provedores respondem por 2%, mas atendem a 80% do mercado.

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Empresas da Internet pedem mais segurança jurídica

“O Marco Civil da Internet trouxe base sólida para criar parâmetros para se ter lei mínima para a Internet seguir avançando, mas, infelizmente, vemos varias iniciativas tentando modifica-lo", afirmou o presidente da Abranet, Eduardo Parajo.

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