Convergência Digital

Banco Central: é hora de ter uma agenda para o Open Banking

Roberta Prescott - 13/06/2018

A iniciativa de Open Banking não é nova. Desde 2007, a Europa discute mudanças nas diretrizes de serviços de pagamentos e, com a crise de 2008, ficou clara a necessidade de haver mecanismos para aumentar a competição. A agenda, colocada pelo regulador da União Europeia na revisão da PSD, culminou na publicação da PSD2, que traz regulamentos de Open Banking com o objetivo de fomentar o mercado.

De maneira geral, o Open Banking oferece aos usuários mais controle sobre seus dados ao mesmo tempo que permite que eles tenham acesso aos serviços financeiros em mais plataformas, além dos tradicionais canais dos bancos. Por exemplo, fazer uma transferência para alguém por meio do Facebook ou consultar saldo pelo Instagram.

Em palestra durante o Ciab, que ocorre nesta semana em São Paulo, Francisco Aranda, sócio de Serviços Financeiros da EY, destacou que o Open Banking representa uma oportunidade para os bancos de ampliar a oferta de canais e oferecer produtos de outras empresas. Para tanto, as instituições precisam abrir a plataforma para desenvolvedores.

“A evolução dos sistemas de pagamento e financeiro reduz custos para as instituições financeiras para que tenham foco na inovação, e isto se traduz em eficiência tanto para o sistema quanto para o cliente. Vemos o empoderamento do cliente; os dados e as transações são de propriedade dele, independentemente de onde estejam guardados”, completou Humberto Carlos Zendersky, assessor do Departamento de Regulação do Sistema Financeiro do Banco Central do Brasil.

Tido como evolução dos serviços bancários, o Open Banking permite o compartilhamento de informações dos clientes e suas operações com terceiros, inclusive outras instituições financeiras e fintechs. Além disto, dá permissão para o acesso a alguns aspectos das contas dos clientes, como o comando de débitos.

“Com o tempo, o Open Banking vai criar formas de valor que hoje não conseguimos enxergar. Esta jornada é inevitável, ela vai acontecer de qualquer maneira”, destacou Aranda. Além dos países  europeus, o open banking tem avançado em outros lugares, com ou sem regulação. Aranda deu como exemplo os Estados Unidos, que não têm regulação, mas onde os bancos aderiram ao Open Banking. “O México é um dos países mais avançados em Open Banking. No Canadá, o regulador disse que tem como objetivo discutir o tema neste ano e, no Japão, não tem regulação, mas os bancos resolveram entrar nessa questão”, acrescentou.

Adequação regulatória, aspectos legais, segurança da informação, sigilo de dados e uso indevido da informação são alguns dos desafios que o regulador enfrenta no que tange ao Open Banking. No Brasil, algumas regulações e marcos legais já tratam de alguns aspectos de intercâmbio ou colaboração entre instituições. “A interação entre instituição financeira e não-financeira já ocorre há algum tempo no caso de débito automático e na portabilidade do crédito”, lembrou Zendersky.
 
O assessor do Bacen apontou como próximos passos a definição de uma agenda visando a alcançar maior eficiência e inovação do sistema financeiro, incremento de pagamentos instantâneos, aumento da concorrência, redução do spread bancário e redução do custo de transação para o cliente. Assista à entrevista.

Facebook Twitter Google+ LinkedIn Email Addthis
Bradesco: novos concorrentes vão vir da inovação, mas competição não assusta

Para o diretor de Canais Digitais do Bradesco, Marcelo Frontini, não importa de onde venha o competidor se o cliente estiver satisfeito com o serviço prestado.

5G vai impulsionar serviços que precisam de baixa latência

Nova tecnologia vai estar inserida em qualquer segmento de mercado, sustenta Carlos Alberto Camardella, consultor de Engenharia de Telecom da Claro Brasil.

Banrisul planeja uma plataforma digital independente

Instituição está redefinindo a oferta do mobile banking, revela o diretor de TI, Jorge Krug.

Bradesco Seguros prioriza robótica para mudar a percepção do cliente

Grupo investe cerca de R$ 400 milhões por ano em tecnologia, e as novas tendências nessa área determinam um novo momento na relação com o usuário, analisa o diretor de TI, Curt Zimmermann.


Ciab Febraban 2018 - clique aqui e confira a cobertura completa.
Editora Convergência Digital
Copyright © 2005-2018 Editora Convergência Digital ... Todos os direitos reservados ... É proibida a reprodução total ou parcial do conteúdo deste site