OPINIÃO

Dos ambientes offline à estratégia MultiCloud

Por Fabio Gordon*
15/08/2018 ... Convergência Digital

Nos últimos 20 anos a tecnologia evoluiu de forma nunca vista. O mundo tecnológico deixou os ambientes congelantes dos data centers de grandes empresas para fazer parte de nossas vidas. Vale uma pequena lembrança do que tínhamos em nossas vidas em 1998. No final da década de 90 as pessoas, no Brasil, declaravam no imposto de renda como bem móvel as suas linhas telefônicas.

Assistir a um filme exigia uma parada na videolocadora – com direito a rebobinar a fita antes de devolver, pagar contas exigia entrar em filas nos bancos, todo taxista tinha em seu carro um guia de ruas e a França era a campeã da Copa do Mundo. O celular mais moderno da época tinha no máximo três jogos, capacidade para 200 contatos e o acesso à Internet não era "portátil", além de consumir as linhas telefônicas com modems barulhentos de 56Kbps.

Nas empresas, poucas pessoas tinham um computador, boa parte das atividades era feita de forma manual. Nos poucos datacenters, presentes apenas nas empresas de grande porte, as pessoas entravam com luvas ou roupas especiais e o computador com maior capacidade de processamento do mundo, o Asci Red, tinha uma capacidade de pico de 1.8 Teraflops.

Passados 20 anos o que mudou? Dos fatos mencionados acima, acho que a única semelhança é a vitória da França na Copa do Mundo. Todo o resto mudou. O telefone passou a ser um bem popular de livre acesso, enquanto bancos, mapas, entretenimento, informação e muito mais passou a estar disponível também nos smartphones. Hoje, uma loja virtual conta com mais de 3 milhões de aplicativos disponíveis para seus usuários. Até os videogames já possuem maior poder de processamento do que o maior computador do mundo em 1998.

Do ponto de vista das empresas, o transcorrer destes 20 anos não foi menos significativo. Poucos têm o conhecimento que por trás de todas as maravilhas modernas, existe uma infraestrutura de tecnologia gigantesca para atender as diferentes demandas. Como as áreas de TI contavam com investimentos estagnados e parcela considerável do budget direcionada para manutenção da infraestrutura legada, as áreas de negócios das empresas passaram a procurar formas mais ágeis e simples de ter os dados, informações e aplicativos à disposição.

Dentro deste contexto a adoção de cloud computing ganhou relevância e prometia ser a solução ideal para equacionar a demanda por estrutura de TI simplificada e agilidade necessária aos negócios. Em um primeiro momento, o encontro destas duas necessidades fez surgir o mercado completamente disruptivo no meio tecnológico das nuvens públicas. Grandes empresas de Internet oferecendo o seu poder de processamento e armazenamento de dados de forma fácil a qualquer empresa. Baixa complexidade, maior agilidade e custo reduzido foram os grandes direcionadores desta onda.

A estratégia de adoção de cloud pública parecia promissora. Era só colocar o cartão de crédito, ativar e passar a utilizar. Mas logo começaram a aparecer os novos desafios deste mundo. O custo mensal só crescia, o gerenciamento se tornava mais complexo e os acordos de nível de serviço não atendiam muitas das demandas. Quando se lia o contrato com maior cuidado, percebia que a empresa não estava protegida da forma que imaginava, os serviços podiam ficar indisponíveis, a conta mais cara e o gerenciamento feito somente por especialistas. O sentimento de "déjà vu" foi inevitável. Será que não poderia haver um meio termo ou alguma forma efetiva de resolver as questões de agilidade, simplificação e redução de custos?

Neste ambiente surgiram algumas tecnologias de software e hardware como alternativas para viabilizar a transformação da TI e permitir que as empresas se tornem de fato digitais. É preciso arrumar a infraestrutura e a fundação de uma empresa para permitir que ela cresça de forma adequada. As tecnologias de Convergência e Hiperconvergência vieram para ajudar a resolver a questão da complexidade do gerenciamento, da escalabilidade, da agilidade e da operação de forma a prover um ambiente estruturado para a transformação digital.

Integrando componentes e virtualizando a computação, armazenamento, rede, proteção de dados e gerenciamento, a empresa passa a contar com uma infraestrutura de nuvem pronta dentro de casa. E o que é mais importante, podendo aproveitar os recursos da nuvem pública quando for necessário. Quando uma empresa faz a opção pela estratégia multi-cloud passa a contar com maior capacidade de gerenciamento da infraestrutura de TI e podem mover-se rapidamente para implementar novas ideias, reduzir a complexidade e os riscos e criar sistemas transparentes e eficientes

O primeiro passo, portanto, é reconhecer a necessidade de mudança, entender que o seu data center de 20 anos não vai mais suportar os negócios digitais. É imprescindível fazer um diagnóstico do seu ambiente de TI e começar a mudar. E rápido, porque é provável que os seus competidores já estejam fazendo isso. Empresas do setor de finanças, seguros, telecomunicações, varejo, manufatura já entenderam esta necessidade e já estão trabalhando nessa transformação.

A boa notícia é que pouco a pouco estamos diminuindo o gap dos avanços tecnológicos no Brasil em relação ao mercado internacional. As inovações que antes demoravam entre dois e três anos para ser implementada no país, em comparação com os EUA e Europa, hoje já está chegando quase que simultaneamente. Isso faz com que já tenhamos empresas no processo de transformação digital operando no Brasil, embora a maior parte delas ainda percorra os estágios intermediários. Então aproveite que já temos no mercado as tecnologias que capacitam as empresas a fazer sua transformação digital e converse com os seus pares para entender o que eles já estão fazendo.

*Fabio Gordon é executivo de vendas para Data Center Moderno da Dell EMC Brasil

 

 



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