INTERNET

Tadao Takahashi: O Brasil abandonou a sua vocação para produzir TICs

Ana Paula Lobo e Pedro Costa ... 24/09/2018 ... Convergência Digital

O Brasil precisa planejar o futuro da Internet para reeditar um novo movimento com governo, setor privado, academia e sociedade para dar um salto na economia digital, afirma um dos fundadores da Internet brasileira e o segundo brasileiro a fazer parte do Hall da Fama da Internet, Tadao Takahashi, que promoveu na Rio Info 2018 o seminário 'O Brasil e a sua Internet em 2030".

"O projeto i2030 nasceu em 2013 quando o Brasil não conseguiu evitar que as invasões da NSA americana nas suas redes. Isso é um absurdo. Um país do tamanho do Brasil tinha de saber evitar esse tipo de ação. A sensação que tivemos foi que o Brasil ficou parado no tempo e esqueceu de planejar o futuro. A ideia do i2030 é exatamente essa. Definir ações que possam vir a ser cumpridas. Tentar não repetir os erros do passado. Nós perdemos a oportunidade de produzir roteadores em 1995. Os chineses aproveitaram. Não podemos errar mais", sustentou Takahashi em entrevista à CDTV, do portal Convergência Digital.

Indagado se a Internet que o Brasil possui hoje é a pensada na sua criação, Takahashi diz que o resultado é parcial. Ele lamenta o fato de TICs serem vistas como verticais e não como prioridade. "Em Israel, as empresas de TI estão direcionadas para a segurança. Esse é o mercado deles. O Brasil podia ser uma potência na TI ligada à agricultura. Mas não fizemos a lição de casa", lamenta.

Com relação às TICs, Tadao Takahashi salienta que elas são valorizadas mais de boca do que de fato, muito na parte de aplicação e entretenimento e menos do que deveriam ser como insumo para a educação, para o desenvolvimento e para a produtividade. O Brasil, observa, valoriza TIC como consumidor e deixa de lado a produção de TICs. "Esse é o maior erro. É claro que vale a pena consumir, mas vale muito a pena produzir também. E nós não estamos produzindo". Assistam a entrevista exclusiva da CDTV, do portal Convergência Digital, com Tadao Takahashi.


Perícia digital: Disputa judicial exige mais prazo de armazenamento de dados

"Conflitos judiciais levam mais tempo que o exigido das empresas para armazenamento das informações. Com dados, não há anonimato na Internet", observa João Alberto Matos, do Pio Tamassia Advocacia. Fake News e perfis falsos nas redes sociais mobilizam a maior parte das perícias digitais.

MPF investiga Facebook por prestar informação falsa e descumprir ordem judicial

Para o Ministério Público, “a atitude mostra desrespeito aos Poderes da República Federativa do Brasil". Facebook tem 30 dias para dar esclarecimentos.

Brasileiro precisa entender que os dados valem muito dinheiro

Professor Luca Belli, da FGV/RJ, diz que o Brasil tem 210 milhões de produtores de dados e pode ter uma vantagem competitiva em Inteligência Artificial. "Mas a hora é de abrir a caixa preta e entender os critérios usados na tomada de decisão", observa. Sobre a LGPD, o especialista é taxativo: sem Autoridade de Dados, a legislação não 'pega'.

Autoridade de Dados tem de ser independente, técnica e sem controle do Estado

"Não haverá Lei de Proteção de Dados sem a Autoridade, mas não podemos ter essa entidade ligada à Casa Civil, ao Ministério da Justiça ou ao CGI. Ela vai fiscalizar a iniciativa privada e o poder público. Precisa ter independência", adverte Carlos Affonso de Souza, do ITS/Rio de Janeiro.

Brasil soma quase sete mil provedores de Internet

Pesquisa TIC Provedores 2017, feita pelo CGI.br, mostra ainda que os ISPs são os fomentadores da fibra óptica no País. Maior parte dos provedores é pequeno e oferecem até 1000 acessos. Os grandes provedores respondem por 2%, mas atendem a 80% do mercado.

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