GOVERNO

Júlio Semeghini à frente da secretaria-executiva do MCTIC anima indústria de TICs

Ana Paula Lobo ... 07/12/2018 ... Convergência Digital

O almoço de final de ano da Associação Brasileira da Indústria Elétrica Eletrônica (Abinee) realizado nesta sexta-feira, 07/12, em São Paulo, foi marcado pela possibilidade de o ex-deputado e secretário de governo de São Paulo, Júlio Semeghini, vir a ser o secretário-executivo do ministro Marcos Pontes, à frente do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicações.

Os empresários de TI não esconderam a satisfação, até porque Semeghini foi um dos defensores da Lei de Informática em seu período como parlamentar - e a decisão de ajustes na legislação será conhecida no dia 13 de dezembro, com a divulgação das determinações da Organização Mundial do Comércio às denúncias feitas pela Europa e Japão contra os benefícios concedidos para empresas de TICs no país.

"O Semeghini conhece muito o setor. Ele será um avanço nas nossas discussões com o novo governo", exultou um presidente de empresa de TI presente ao evento, mas que pediu para não ser identificado. Como o novo ministro do MCTIC, Marcos Pontes, não é do setor, o fato de ele escolher um político - que teve sua agenda parlamentar direcionada para TICs - foi vista como uma medida para facilitar a interação com a indústria.

Em coletiva de imprensa para a divulgação dos resultados do setor, o presidente da Abinee, Humberto Barbato, revelou que o índice de confiança do empresariado no novo governo é o mais alto dos últimos oito anos e fica próximo de 65%. Indagado do porquê desse otimismo, Barbato diz que é mais um índice de 'esperança' de mudanças e ajustes.

Na área de TICs, o discurso de abertura comercial da área econômica preocupa. "Não somos contra a abertura, mas ela precisa respeitar quem produz aqui. Queremos ter condições de competitividade. Em 1990, o governo Collor abriu demais e destruiu a indústria de componentes nacional. Até hoje não tivemos como recuperar esse estrago. Não queremos vantagens, mas igualdade de condições. A indústria eletroeletrônica é uma das que mais emprega no País", frisou Barbato. Segundo o presidente da Abinee, a preocupação já foi exposta para autoridades do novo governo e, na próxima semana, haverá um encontro em Brasília para reforçar as ponderações setoriais.

Lei de Informática

Com relação a 2018, Barbato definiu que "o ano não foi nenhuma maravilha, o mercado ainda está em processo de recuperação. Mas o paciente talvez tenha saído da UTI e ido para o quarto. Mas continua tendo que receber cuidados". A decisão da Organização Mundial do Comércio sobre a Lei de Informática - será conhecida no dia 13 de dezembro - preocupa, mas a indústria já tem ciência que ajustes terão de ser feitos.

"Mas a nossa legislação está em vigor até 2029. Há que se dar estabilidade jurídica a quem investiu no Brasil, mas talvez seja, de fato, um momento para fazer a revisão. A tecnologia avançou muito. Um app, hoje, não pode ser considerado um investimento de Pesquisa e Desenvolvimento", pontuou o executivo, que lembrou o fato de o setor eletroeletrônico possuir cerca de 30 mil pesquisadores, o maior, segundo ele, de um setor produtivo. "Nossa missão é a de mostrar o porquê e a importância da Lei de Informática ao novo governo".

Representante do governo Bolsonaro no almoço de final de ano da entidade, Carlos da Costa, que fará parte da equipe econômica comandada por Paulo Guedes e deverá responder pela secretaria voltada à produtividade, reforçou que a nova gestão não dará espaço para 'subsídios, gastos públicos e proteção". Disse que a meta é fazer a produtividade do trabalhador - que está em 23% em relação ao do norte-americano, possa subir para até 30%.

"Não temos a resposta para tudo, mas o crescimento do Brasil não virá do governo, mas, sim, da indústria, da inovação e da competição". Costa assegura que a equipe econômica trabalha com uma previsão de crescimento de 3,5% em 2019. "Sei que tem economista baixando essa taxa, mas estamos com convicção que vamos conseguir. E em 2020 poderemos crescer 5%".

Números divulgados pela Abinee mostram que o faturamento da indústria eletroeletrônica deve encerrar 2018 em R$ 146,1 bilhões, um crescimento de 7% em relação ao ano passado (R$ 136 bilhões). Esse resultado representa um incremento real de 2% no faturamento, descontando a inflação do setor que, segundo o Índice de Preços ao Produtor (IPP), ficará em torno de 5% em 2018.

Para 2019, as empresas do setor eletroeletrônico projetam crescimento de 8% no faturamento em relação a 2018. Esta projeção é compatível com a estimativa do PIB, de 2,5%, para o próximo ano. A produção do setor também deve crescer 7% em 2019. Os investimentos da indústria eletroeletrônica devem ter incremento de 11%, totalizando R$ 3 bilhões.


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