Convergência Digital - Home

Transformação digital dói e expõe os erros corporativos

Convergência Digital
Convergência Digital* - 10/01/2019

A transformação digital já é uma realidade e as empresas que ainda não estão de olho nesse movimento precisam correr atrás do tempo perdido, para não ficarem ultrapassadas. E não se trata apenas de levar tecnologia ou inovação para dentro da companhia, e sim, mudar a estrutura da organização para aumentar o desempenho e buscar resultados melhores.

Segundo George Arraes, gerente sênior de Customer Experience da CI&T, empresa que atua na jornada digital, a mudança de 'mindset' é um dos principais entraves, já que é necessário mudar a cultura da empresa, alterar a estrutura de comando e controle e fazer com que os profissionais trabalhem integrados em busca do mesmo objetivo.

O executivo observa que a transformação digital propõe uma mudança gradual, segura e estruturada da empresa em uma jornada que tem como objetivo o aperfeiçoamento constante de processos, durante um longo período.
Outro entrave é conseguir pensar em melhorias e soluções que realmente vão fazer diferença e entregar valor ao consumidor final.

O cliente deve ser colocado no centro do negócio e o trabalho é voltado para atender às necessidades que o consumidor possui em sua experiência, de ponta a ponta. "Mesmos nos casos de sucesso haverá momentos de dor, principalmente quando silos são quebrados e estruturas e estratégias são questionadas", ressalta Cesar Gon, CEO e fundador da CI&T.

Veja abaixo os 5 principais entraves para implementar a transformação digital em grandes companhias:

1) Percepção da urgência

Muitas empresas não percebem que precisam se reinventar ou mudar o negócio para acompanhar as ofertas disponíveis no mercado e as necessidades do cliente, que mudam de tempos em tempos. Algumas deixaram até de existir porque não tiveram a percepção que precisam se transformar. A Blockbuster, por exemplo, foi extinta porque não enxergou a grande oportunidade que o mercado de streaming permitia. A empresa viu a Netflix nascer e ocupar os espaços que seu serviço não atendia.

"A percepção de urgência dessa mudança é uma questão de saúde para o negócio. Existem muitas instituições conservadoras e que ainda não são pressionadas, mas em um setor de alta competitividade, elas precisam estar dispostas a passar pelo desconforto para não serem engolidas pelo mercado", disse Arraes.

2) Aprendizado rápido

A maioria das empresas está acostumada a ter um processo longo para implementar novos projetos. E assim, o desenvolvimento das soluções demora e os consumidores não recebem o que precisam.

"É preciso estar pronto para ter uma estrutura que faça testes de hipóteses, construa experimentos rápidos e aprenda com eles. O sucesso no mundo atual é baseado em resiliência, aprendizado e evolução", afirma.

O aprendizado é muito relevante dentro do processo de transformação digital. Testar hipóteses e implementar MVPs (Produto Mínimo Viável) para ter feedbacks rápidos do cliente ou consumidor ajudam a agilizar esse processo.

 "A velocidade é super importante. A velocidade pela velocidade produz lixo na velocidade da luz, mas a velocidade associada ao aprendizado, com análise de dados e números, mostra o que o experimento permitiu", completa Arraes.

3) Deixar a estrutura de comando e controle

A estrutura de comando e controle é o padrão da maioria das empresas. Nela, o chefe é a figura principal e quem tem mais experiência diz o que fazer, enquanto os demais apenas executam, sem conversa ou discussão sobre o assunto. No entanto, essa conduta atrapalha o desenvolvimento rápido de ideias e projetos.

"Hoje, não existe garantia de que a sua ideia seja a melhor ideia. Ela está sujeita a questionamentos e a falhas. O líder tem que se transformar do comando e controle para um líder que é inspirador", ressalta Cesar Gon. "Por isso, o papel da liderança é fundamental para quebrar esse paradigma de comando e controle e, assim, promover o engajamento dos colaboradores no novo modelo de trabalho", aponta.

Com a transformação digital essa prática deve mudar. Todos devem trabalhar em prol do mesmo objetivo e as ideias e projetos devem ser discutidos. Todos são convidados para colaborar e trocar informações. Além disso, os departamentos devem repensar as métricas segmentadas para alcançar esse objetivo principal.

4) Criar a cultura da experimentação

Na cultura de mercado atual, a experimentação é praticamente inexistente. Existem poucas empresas que apostam em hipóteses e ideias para testar os seus projetos. O mais tradicional é seguir com um planejamento anual e complexo, que muitas vezes não traz os resultados esperados.

Na transformação digital, a experimentação é um dos pontos principais. Os MVPs permitem que hipóteses sejam testadas em prazos mais curtos e as mudanças podem ser implementadas enquanto o produto recebe melhorias e atualizações.

A experimentação permite mudanças e renovações mais rápidas e assim que um problema é identificado, a equipe já pode tentar solucioná-lo já que não é preciso esperar outras etapas acontecerem para atuar.

Quando a empresa tem como foco resolver o problema, todos estão no mesmo barco e atuam em busca do mesmo resultado. "Esse choque de abandonar o passado é muito desconfortável porque é muito intenso, vai amadurecendo ao longo do tempo" disse Arraes.

5) Expor erros

Na cultura corporativa tradicional, os erros são abomináveis e nunca devem aparecer ou fazer parte do dia a dia do trabalho. Muitas empresas encontram dificuldades para atuar com a possibilidade de errar.

Com a transformação digital, essa rotina muda: os erros devem ser expostos, discutidos e analisados. Os problemas sempre vão existir, mas quem não os conhece não consegue se preparar para imprevistos ou situações incômodas.

"É preciso expor esse erro, buscar resolver o problema e não tentar achar o culpado. Na hora que o erro é repreendido, o aprendizado acabou porque as pessoas passam a se proteger e não falam mais", fala Arraes. É importante aprender rápido com esse erro, ao invés de simplesmente ver o erro e não se posicionar.


Destaques
Destaques

Computação em nuvem protagoniza investimentos no Brasil

Crescimento anual das ofertas de cloud é estimado em 26% até 2022. Já os aportes em em Inteligência Artificial vão crescer 29% nos próximos quatro anos.

Embratel: Ao definir preferência pela nuvem, governo agiliza jornada digital

Definição nas compras governamentais por cloud first transforma a contratação de serviço, pontua o gerente executivo de vendas de TI da Embratel, Odélio Horta Filho. Compras governamentais e o uso das novas tecnologias como IA, Machine Learning e IoT serão tema de debate no Brasscom TecFórum, em Brasília.



Veja mais vídeos
Veja mais vídeos da CDTV

Veja mais artigos
Veja mais artigos

Edge Computing para acelerar os negócios das empresas brasileiras

Por Henrique Cecci*

O que é, afinal, Edge Computing? Trata-se da aplicação de soluções que facilitam o processamento de dados diretamente na fonte de geração de dados. No contexto da Internet das Coisas (IoT), por exemplo, as fontes de geração de dados geralmente são "coisas" com sensores ou dispositivos incorporados.

Intuição versus análise de dados na gestão

Por Douglas Scheibler*

O poder decisório significa alta responsabilidade e inúmeros riscos. Neste cenário caótico, analisar dados é indispensável e é o que justifica uma determinada medida ser considerada como correta, em um cenário específico, em detrimento de outras.


Copyright © 2005-2016 Convergência Digital ... Todos os direitos reservados ... É proibida a reprodução total ou parcial do conteúdo deste site