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Huawei desafia governo dos EUA a provar o uso de backdoors

Convergência Digital - Carreira
Convergência Digital* - 14/02/2020

Por meio de nota oficial, a Huawei decidiu reagir pesado a mais um ataque do governo dos Estados Unidos. A fabricante desafiou os Estados Unidos a provar o uso de backdoors nos seus equipamentos e partiu até para cima de rivais como Apple e Samsung. Na nota oficial, a Huawei salienta que 'as novas acusações do Departamento de Justiça dos Estados Unidos contra a Huawei fazem de uma campanha sistemática. Isso consiste em perseguição política, pura e simplesmente".

De acordo com a Huawei, as novas acusações - autoridades dos Estados Unidos disseram ao Wall Street Journalque a Huawei pode secretamente acessar comunicações usando o equipamento que operadoras são obrigadas a instalar para permitir acesso por órgãos de segurança - se baseiam principalmente em disputas civis dos últimos 20 anos que foram previamente resolvidas, litigadas e, em alguns casos, rejeitadas por juízes e júris federais.

"Nessas disputas, nenhum tribunal descobriu que a Huawei havia se envolvido em roubo de propriedade intelectual ou exigido que a Huawei pagasse indenização por violação de propriedade intelectual de terceiros. O Departamento de Justiça dos Estados Unidos está reintroduzindo casos civis anteriormente resolvidos como casos criminais. Trata-se de aplicação seletiva da lei, motivada politicamente e contrária a convenções judiciais comuns", afirma a Huawei.

A briga respingou nas rivais Apple e Samsung. "Disputas sobre propriedade intelectual são comuns em negócios internacionais. Segundo registros públicos, de 2009 a 2019, a Apple esteve envolvida em 596 ações de propriedade intelectual e a Samsung em 519. A Huawei esteve envolvida em 209. O Departamento de Justiça dos Estados Unidos insistiu em instaurar uma ação criminal contra a Huawei, com único objetivo de atacar, desacreditar e manchar a reputação das principais tecnologias da companhia. Eles querem prejudicar a vantagem competitiva da Huawei no mercado global".

Na nota, a Huawei sustenta que nenhuma empresa pode se tornar líder global roubando outras. Até o final de 2018, a Huawei registrou 87.805 patentes, incluindo 11.152 patentes nos Estados Unidos. Desde 2015, a Huawei recebeu mais de U$ 1,4 bilhão em receita de licenciamento. A companhia pagou mais de U$ 6 bilhões em royalties pelo uso legítimo das patentes de outras empresas, sendo que quase 80% desse valor foi pago a empresas americanas.

Assegura que "nenhum dos produtos ou tecnologias da Huawei foi desenvolvido por meio de roubo de segredos comerciais. O desenvolvimento da Huawei é o resultado de nosso enorme investimento em Pesquisa e Desenvolvimento, além do trabalho árduo dos funcionários nas últimas três décadas. A Huawei conta com a confiança e o apoio de nossos clientes, fornecedores e parceiros." O informe termina afirmando que atacar a Huawei "não ajudará os Estados Unidos a ficarem à frente da concorrência. Repetir uma mentira não a tornará realidade. A Huawei acredita que o tribunal tomará uma decisão justa com base em fatos e evidências".

Reação imediata

O chefe de segurança cibernética da Huawei, John Suffolk, disse nesta sexta-feira, 14/02, em uma coletiva de imprensa, em Londres, não saber de nenhuma operadora de telefonia móvel que dê à fabricante chinesa acesso ao equipamento usado para interceptar chamadas quando solicitado por órgãos de segurança, o que seria o famoso backdoor. “Não temos acesso a este equipamento, não sabemos qual chamada ou informação está sendo interceptada, não sabemos quando é interceptada - tudo o que fazemos é fornecer um lado da caixa que é cego para o que está acontecendo no outro lado da caixa”, sustentou.

Suffolk disse ainda que a Huawei não fabricou o equipamento que operadoras usam para interceptar as comunicações, acrescentando que os EUA não apresentaram nenhuma evidência para as alegações. O executivo alfinetou a situação ao dizer que governos e operadoras são “inteligentes” e estão apoiando a Huawei, na competição travada com outros fabricantes, em especial, Ericsson e Nokia.

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