Enquanto tenta sensibilizar 900 mil servidores públicos para os cuidados com as redes da administração federal, o Departamento de Segurança da Informação e Comunicações (DSIC), ligado ao Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, descobriu que precisa conquistar também as principais autoridades da Esplanada dos Ministérios.
Uma pesquisa do DSIC com ministros, chefes de gabinete e secretários executivos revelou que os maiores riscos estão mesmo nos cargos mais altos – e não simplesmente porque eles detêm as principais informações - mas pela postura em relação à Informática.
"Ao ministro e sua assessoria estão disponíveis o melhor celular, a melhor banda, o melhor computador, protegido pelo melhor firewall e o melhor software de rede. Mas se o ministro estiver com pressa e o firewall estiver atrapalhando, ele vai mandar desligar", cita o diretor do DSIC, Raphael Mandarino Jr.
Nessa pesquisa, em que evitou perguntas diretas para escapar do zelo excessivo dos entrevistados, o DSIC avaliou até se a autoridade procurou se informar se o questionário era legítimo. Entre outras curiosidades, descobriu que os chefes carregam algumas missões impossíveis.
"Vimos que, em média, um ministro tem 17 senhas de uso eletivo. Quem decora tudo isso? O que acontece é que ele anota ou passa para a assessoria. Se você pedir para ele trocá-las a cada 60 dias, periga matar um, ou então usar a mesma para tudo", brinca Mandarino.
E como mesmo ministros de Estado têm vida pessoal, a tarefa fica ainda pior. "Se somarmos que, em média, as pessoas têm 11 senhas pessoais, vamos para 28 senhas com cada ministro, o que é impossível de gerenciar”, reconhec o diretor do DSIC.
Ainda não há, porém, uma fórmula para fugir desse problema, considerado um risco para a área de segurança da informação. "É algo em que estamos trabalhando, procurando soluções", resume Mandarino.