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SAP: X-Data e O-Data, combinadas à IA, vão fazer a diferença na nuvem

Convergência Digital
Por Roberta Prescott* - 10/05/2019

Experiência do cliente. Este foi o tema-chave que norteou as apresentações, coletivas de imprensa e lançamentos na edição deste ano do Sapphire Now, evento que reuniu cerca de 30 mil pessoas, de 7 a 9 de maio em Orlando (EUA). Para entender a ênfase no tema é preciso voltar uns meses: em novembro do ano passado, a SAP anunciou a aquisição por US$ 8 bilhões da Qualtrics, fundada em 2002 por Scott M. Smith, Ryan Smith, Jared Smith e Stuart Orgill e especializada no gerenciamento da experiência. Em janeiro último, a compra foi concluída e, nesta semana, Ryan e Jared Smith, palestravam no Sapphire.

Seja ao detalhar os desdobramentos do SAP Hana, uma ferramenta analítica, in-memory e de alto desempenho disponível no mercado desde 2011, ou anunciar o foco e roadmap de lançamentos nas soluções em nuvem, os executivos da SAP ressaltavam que a empresa inteligente está baseada na economia da experiência. Termos e conceitos também foram introduzidos e reforçados em diversas interações com o público.

O que mais se escutou foi X-data (dados vindo da experiência) e O-data (dados operacionais). De forma simplista, O-data é extraído dos sistemas da SAP, são dados estruturados, tangíveis ou não, de vendas, finanças, recursos humanos, entre outros. Já o X-data implica um fator humano, aponta a experiência obtida, as emoções, os sentimentos; é o feedback que aponta a diferença entre o que a empresa acredita que está acontecendo do que realmente está se passando.

Tonatiuh Barradas, líder de plataforma e tecnologias da SAP LAC, traduziu como as tendências estão impactando os produtos da companhia. "Tipicamente, as organizações, quando falam em maximizar o entendimento e manuseio de dados, tocam todas as fontes de dados e as levam para uma estrutura que consolida tudo, o data lake. Estamos enxergando um estratégia de 'connect and not collect', de conectar sem coletar. Esta é a nossa visão, porque isto tem processo de mitigar o risco, levar operação que tem de continuar existindo para uma outra estrutura, preservando o legado, ao mesmo tempo em que cria mecanismo que orquestra o dado na fonte", detalhou.

Esta arquitetura, que conta com inteligência artificial embebida, mescla X-data e O-data de modo que as empresas possam ter uma análise mais ampla. "A combinação de dados estruturados e não-estruturados leva a uma organização dirigida por dados. "Estamos extremamente animados com as oportunidades que estão vindo, visualizando as soluções que fomos adquirindo", disse a líder da SAP no Brasil, Cristina Palmaka. "Com a associação de X e O, a empresa consegue juntar os pontos de forma única e oportunidades começam a abrir para os clientes de todos os tamanhos", completou.

Para a executiva, as empresas mudaram a maneira de comprar tecnologia e querem ciclos mais rápidos de implementação, inclusive de ERP. "Qualtrics é de muito fácil adoção, as oportunidades são enormes", disse, acrescentando que as companhias podem fazer o projeto por partes e ir testando a tecnologia. "Estamos chegando ao momento da economia da experiência e estamos dando significado ao que fazer com o dado", ressaltou, em uma clara referência à temática do evento e ao discurso que se traçou durante todo Sapphire.

Outro ponto levantado por Palmaka — e que se mostra uma grande oportunidade de mercado para a SAP — é que para as soluções Qualtrics o tamanho da empresa é o menos relevante." Para o projeto ter razão de existir tem de ter quantidade de dados para poder coletar, porque isto vai dar a base para aplicação do Qualtrics", disse. Outra vertente que se enxerga na economia da experiência é o campo profissional que surge para lidar com isto.

Cristina Palmaka acredita em uma composição variada de profissões e uma área com pessoas do marketing, de negócio, de experiência com o cliente, de dados. "Alguém tem de olhar para este universo rico de informação que vai sair. Talvez seja uma única área, talvez não, o mais importante é ter uma só base", disse, ao explicar que os X-datas têm capacidade de explicar os porquês dos acontecimentos e dos resultados e para isto requerem pessoas qualificadas para lidar com isto. "Com dados operacionais, você sabe quantas pessoas, por exemplo, abandonaram um carrinho de compras no e-commerce. Com X-data, você pode entender o porquê e trabalhar nisto." Falando em números, a líder da SAP no Brasil apontou que o mercado para as soluções de experiência com o cliente (na SAP, o C/4HANA) está estimado em US$ 60 bilhões, enquanto que o de ERP, em US$ 30 bilhões.

 Nuvem em primeiro lugar

"SAP coloca nuvem em primeiro lugar", ressaltou Hasso Plattner, cofundador da SAP e atual chairman do SAP Supervisory Board. No Sapphire Now 2019 também ficou claro que a SAP segue firme na jornada para nuvem e reconhece que ainda faltam objetivos a alcançar. Os resultados do primeiro trimestre da companhia — 6,8 bilhões de euros em faturamento —, anunciados em abril, mostraram que o crescimento de 6,5% a mais na comparação com o 1T18 foi impulsionado pelo segmento de cloud. De fato, Ryan Smith, CEO e cofundador da Qualtrics International, brincou, na coletiva de imprensa, que a empresa que fundou tinha, em 2011, um faturamento com soluções em nuvens maior que a gigante alemã. "Nós esperamos que o faturamento com nuvem alcance US$ 20 bilhões em 2023", disse Bill McDermott, CEO da SAP, em conversa com jornalistas.

*Roberta Prescott viajou ao Sapphire 2019 a convite da SAP Brasil


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