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Marcos Pontes: O Brasil dá muito pouco valor ao ensino técnico

Por Roberta Prescott* - 23/03/2021

Fomentar o ensino técnico para estimular a formação de mais profissionais de tecnologia é a melhor estratégia para reduzir a lacuna existente entre o número de graduados e a necessidade de mão de obra por parte das empresas. Na abertura do Brasscom TecFórum 2021, nesta terça-feira, 23/03, o ministro de Ciência, Tecnologia e Inovações, Marcos Pontes, em conversa com Laércio Cosentino, fundador da TOTVS e presidente do conselho de administração da Brasscom, ressaltou que o Brasil precisa dar mais valor ao ensino técnico.

"Os países que têm melhores resultados em tecnologia são aqueles que dão muito valor ao ensino técnico. Infelizmente no Brasil, essa valorização quase não existe. Nosso número de alunos que terminam com ensino técnico é baixo e o ideal seria que fosse triplicado", destacou, acrescentando que há um projeto em curso para instituir escolas distritais com ensino técnico e cujo currículo seja feito em parceria com as empresas locais. "É um projeto que temos aqui e espero colocar em fase piloto ainda este ano".

Pontes ressaltou que o ministério tem a transformação digital como uma das prioridades, mas que para alcançar os resultados esperados é necessário investir na formação profissional. Ele explicou que o MCTI tem uma secretaria focada em articular e popularizar a promoção de ciência dentro das escolas, incorporando matérias como robótica e realizando diversas olimpíadas. "Precisamos motivar as crianças para as carreiras de ciência e tecnologia para que vejam nestas carreiras uma possibilidade de futuro e algo que lhes dê felicidade", disse. As carreiras atualmente agrupadas na sigla, em inglês, Steam — para ciência, tecnologia, engenharia, artes e matemática — estão no foco de atenção. 

Com relação ao ensino superior, Pontes disse que o ministério tem conversado com as universidades para que incluam cursos para tecnologia do futuro como inteligência artificial, blockchain, IoT, nuvem entre outras. Também assinalou a importância de fomentar, via, por exemplo, Finep e CNPq, ações capazes de fomentar a criação de startups. Ele também defendeu que o setor privado contrate mais mestres e doutores e flertou com a possibilidade de poder haver incentivo fiscal para tal — mas não abriu detalhes. 

Por sua vez, Cosentino aproveitou o bate-papo para destacar que a Brasscom trabalha para Brasil mais digital e disse que a base de sustentação do setor está na tributação, emprego e competitividade. "Hoje, existe um déficit enorme de pessoas qualificadas para assumir posições importantes", assentiu. Cosentino concordou com a importância de incentivar a descoberta da ciência na escola e com a necessidade do ensino técnico.

"A universidade é fundamental, mas os cursos técnicos formam a base para a pirâmide ascender. Renovar os currículos acadêmicos também é fundamental", apontou. "A Brasscom defende que não podemos tributar o emprego", em uma defesa para a perenização da desoneração da folha, que encerra validade no dia 31 de dezembro deste ano e que não agrada ao ministério da Economia.

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