22/04/2021 às 15:41
Opinião


Cloud é bom, mas quem gerencia?
Edmilson Santana*

Os benefícios da cloud computing têm sido bastante difundidos atualmente, especialmente depois da aceleração dos processos de transformação digital provocado pela pandemia e pela necessidade da adoção de medidas de distanciamento físico. Para a grande maioria das empresas a flexibilidade tornou-se convidativa e a economia trazida, bastante convincente.

Mas se a nuvem soluciona problemas de um lado, de outro sua operação demanda a formação de um time capaz de traduzir demandas de negócio em continuidade operacional, e isso de forma ágil, produtiva e consistente. Mais que isso. Uma vez implantada a arquitetura projetada, esses profissionais também serão os responsáveis pela melhoria contínua do ambiente que suportará a evolução natural das aplicações e pela otimização de desempenho e custos dos serviços consumidos.

É o que chamamos de cenário de CloudOps e, nele, é fundamental que toda equipe que lida com serviços em cloud esteja comprometida com o propósito do negócio e consiga fazer a correlação entre aspectos técnicos e fatores importantes para o negócio. Alguns destes fatores são:

• Receita - a performance e a confiabilidade da aplicação e do ambiente podem impactar a receita?

• Custos - a utilização de serviços nativos do provedor cloud pode implicar em menor volatilidade no fluxo financeiro?

• Time-to-market – é possível capturar oportunidades de mercado através da evolução rápida de aplicações utilizando recursos nativos do provedor de cloud?

Alcançar este estágio de maturidade, requer que sponsors do uso da nuvem na corporação a entendam como elemento habilitador de possibilidades e capaz de entregar maior eficiência e produtividade para áreas de negócio, seja através da construção, da modernização ou da migração de aplicações para cloud.

De seu lado, o gestor não deve abrir mão de contar com uma equipe que tenha conhecimento profundo dos produtos e serviços disponíveis em seu provedor de cloud, uma vez que é esta equipe que terá a missão de realizar a composição adequada de tais produtos para entregar valor ao negócio. Aqui é bom lembrar que conhecimento superficial pode levar a gastos desnecessários.

Por isso, o gestor deve ter em mente que, com a nuvem, é possível atender necessidades do dia a dia em diversas frentes, tais como inteligência e segurança de dados; integração a ambientes de clientes e parceiros; ominicanalidade e volume de transações.

Assim, depois de definir sua estratégia de “go cloud”, o uso dos serviços se massificar e as arquiteturas começarem a demandar múltiplos provedores, também aumentarão as necessidades relacionadas a governança. Uma boa alternativa é adotar OKRs (Objectives and Key Results) para guiar a organização por um caminho de bons resultados.

No plano técnico são necessárias ferramentas e serviços de orquestração, monitoramento e segurança para manter a consistência do setup das arquiteturas e assim garantir a prontidão, a escalabilidade e a confiabilidade das aplicações. Aqui, vale a pena recorrer a um parceiro especializado para apoiar estes movimentos. Isso deve ser considerado, pois empresas especializadas têm melhores condições para agregar expertise em governança, em tecnologia e relacionamento com os provedores de cloud.

Por fim, não se deve considerar a migração e uso da nuvem como uma espécie de “bala de prata digital”. É um modelo de computação com enorme potencial, mas sempre vai demandar estratégia, planejamento e disciplina para uma correta utilização.

*Edmilson Santana é Head de Cloud Services da Solutis


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