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Cobertura 4G chegou a 85% da população mundial, mas metade dela seguiu sem acesso à Internet em 2020

Ana Paula Lobo* - 04/03/2021

Os altos custos de acesso à Internet em relação à receita continuam a ser uma das principais barreiras ao uso de serviços de tecnologia da informação e comunicação (TIC) em todo o mundo. Levando em consideração as diferenças de renda, uma assinatura de banda larga móvel com pelo menos 1,5 gigabytes (GB) de dados custa cerca de quatro vezes mais nos países em desenvolvimento do que nos desenvolvidos, revela estudo desenvolvido pela União Internacional de Telecomunicações.

Uma constatação do levantamento: embora as redes 4G cubram áreas com cerca de 85 por cento da população mundial, quase metade dessas pessoas ainda estava offline em 2020, mesmo com a pandemia de Covid-19, aumentando a desigualdade digital entre os países desenvolvidos e em desenvolvimento. O relatório da UIT analisou as seguintes categorias: banda larga móvel, banda larga fixa, dados móveis e baixa utilização de voz, dados móveis e alta utilização de voz e baixo consumo de telefonia móvel.

“A tendência de queda dos preços da banda larga móvel e fixa é encorajadora, mas precisamos fortalecer nossos esforços para reduzir os preços nos países em desenvolvimento”, disse Houlin Zhao, Secretário-Geral da UIT. “A pandemia de COVID-19 estimulou a transformação digital, mas temos a obrigação de conectar todas as pessoas aos serviços de educação, trabalho, saúde, negócios e governo. Construímos a infraestrutura para um futuro melhor, não apenas para tempos difíceis", adicionou.

De acordo com a Meta 2 da Comissão de Banda Larga das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável para 2025, o serviço de banda larga de nível básico nos países em desenvolvimento não deve custar mais do que 2% da Renda Nacional Bruta per capita. O preço médio global para serviços básicos de banda larga móvel em 2020 ficou dentro dessa meta, em 1,7 por cento. No entanto, o preço médio para serviços de banda larga fixa de nível básico (ou seja, pelo menos 5 GB) estava consideravelmente acima da meta, em 2,9 por cento do RNB per capita.

A banda larga nos países em desenvolvimento teve um preço médio de 2,5 por cento do RNB per capita, em comparação com apenas 0,6 por cento nos países desenvolvidos, mostra o estudo. No ano passado, o número de economias que cumpriram a meta de acessibilidade de 2 por cento aumentou em seis: das 190 economias cobertas no relatório, 106 alcançaram a meta, enquanto 84 economias têm preços acima da meta.

“Os serviços de TIC na maioria dos países menos desenvolvidos (LDCs) permanecem proibitivamente caros", lamentou a diretora da ITU, Doreen Bogdan-Martin. Apesar da constatação do declínio médio dos preços no ano passado, a cesta de banda larga móvel apenas de dados era inacessível em 39 dos 43 LDCs, enquanto a cesta de banda larga fixa era inacessível em 32 dos 33 LDCs para os quais há dados disponíveis.

Para um serviço de banda larga fixa, o preço médio nos países desenvolvidos era de 1,2 por cento do RNB mensal per capita, enquanto nos países em desenvolvimento o preço médio era muito mais alto, 4,7 por cento. Das 178 economias para as quais esses dados foram coletados, o preço estava abaixo de 2 por cento em 67 economias e acima desse limite nas outras 111.

Os serviços de banda larga fixa, de acordo com o estudo da UIT, tiveram a menor mudança no ano passado. Esta aparente estabilidade de preços, no entanto, não refletiu melhorias de qualidade recentes e variáveis. Nas economias desenvolvidas, a velocidade média das conexões básicas aumentou de 30 para 40 megabits no ano passado. Nos países em desenvolvimento, aumentou apenas de 3 para 5 Mbits.

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