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‘Horário nobre’ derruba velocidade da internet móvel pela metade no Brasil

Convergência Digital - Carreira
Luís Osvaldo Grossmann - 20/02/2019

A rápida disseminação do 4G evidencia a demanda por internet rápida e permanente, mas o hábito de consumo mantém um certo padrão de hora do rush semelhante às redes de energia ou de televisão. O uso é mais intenso à noite. Por isso, esse é o período de maior congestionamento na maior parte dos lugares, ainda que com variações.

No Brasil, o pico é às 20h, segundo aponta um estudo da britânica Opensignal sobre as redes de telefonia celular de 77 países. Nesse período, a velocidade da internet no Brasil cai para 16 Mbps, em média. É algo perto da metade (57%) da capacidade das redes quando não há congestionamento. Por volta das 3h da manhã, a média chega a 28 Mbps.

Esse tipo de flutuação é natural em redes compartilhadas, como é o caso dos celulares. Acontece em todos os países. Assim, em média a velocidade da internet móvel é de 22,1 Mbps às 3h da madrugada, caindo gradativamente até 9h, quando é de apenas 11,9 Mbps. Volta a subir ao longo do dia, para despencar novamente entre 20h e 23h na maioria (71) dos 77 países analisados.

“Os países da América Latina geralmente caem para a metade inferior de nossas medidas de consistência de velocidade, indicando que há grandes flutuações na Velocidade de Download 4G ao longo do dia. O país mais consistente em nossa análise latino-americana foi a Costa Rica. Suas velocidades aumentaram apenas 50% entre os tempos mais lentos e mais rápidos. O Equador também estava no topo da lista (com um aumento de 60% entre os tempos mais lentos e mais rápidos), seguido pelo México e pelo Brasil (ambos com 70%)”, diz o relatório.

No caso do Brasil, no entanto, o horário de pior performance (16,4 Mbps) não fica muito atrás da média diária (18,6 Mbps). Na avaliação da Opensignal, isso indica um melhor gerenciamento das redes no Brasil nesse tipo de comparação, que tende a valorizar as menores variações no desempenho das conexões móveis à internet.

“O Brasil e o México foram casos interessantes porque ambos tinham o mesmo mínimo de 16 Mbps na extremidade mais baixa e de 28 Mbps na extremidade alta. Mas no geral, o México foi mais rápido. A velocidade média de download de 4G do México em 24 horas foi de 20,1 Mbps, enquanto a média do Brasil foi de 18,6 Mbps, o que mostra que os dois países eram consistentes de maneiras diferentes. O México conseguiu manter suas velocidades médias mais próximas de suas velocidades ideais, um sinal de bom gerenciamento de recursos. Enquanto isso, o Brasil fez um trabalho melhor, garantindo que as velocidades na hora mais congestionada do dia não estivessem muito longe de sua média.”

A conclusão do estudo é de que o 5G vai aliviar significativamente o congestionamento das redes, permitindo uma performance mais homogênea das conexões. “Essas flutuações nas velocidades se tornarão cada vez mais problemáticas à medida que a indústria móvel global evoluir. Serviços e aplicativos de próxima geração que exigem velocidades não apenas rápidas, mas consistentes. Caso contrário, eles não serão capazes de funcionar adequadamente nos horários precisos que a maioria dos consumidores deseja usá-los. Enquanto a atenção nos centros 5G aumenta a velocidade, os benefícios para a consistência podem ser muito mais importantes.”

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