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Espionagem deflagra 'guerra' pela oferta de serviços na nuvem

Convergência Digital
Ana Paula Lobo* - 16/08/2013

Ao manter a sua política de espionar os dados na Internet, o governo dos Estados Unidos pode causar um prejuízo de até US$ 35 bilhões para os fornecedores norte-americanos de serviços de cloud computing, revela estudo da Information Technology&Innovation Foundation (ITIF). Segundo a entidade, vários países já descobriram que o sentimento anti-americano é uma oportunidade de ouro para galgar novos degraus nesse mercado emergente e preparam suas políticas de conquista de clientes.

De acordo com os dados do Information Techonology, os Estados Unidos têm liderado o mercado global de ofertas de serviços na nuvem, o que é uma tradição na oferta de TI. Mas, desde o escândalo da espionagem, detonado pelo ex-técnico da CIA, Edward Snowden, o mercado de cloud foi duramente atingido. "Clientes estão revendo seus projetos. Este é um efeito "imediato e duradouro", que vai crescer mais e mais nos próximos três anos", relata Daniel Castro, autor do estudo do ITIF.

Segundo ele, o momento é de alto risco para os fornecedores norte-americanos de cloud. "A indústria da Europa e a japonesa já percebeu que é um bom momento para tentar 'roubar' mercado". A fuga de clientes já uma realidade. O estudo mostra que clientes estrangeiros começam a gastar seus euros e ienes para provedores de serviços de cloud computing fora dos EUA.

A estimativa do ITIF é de que a participação de mercado das empresas norte-americanas encolha de 85% "pré-PRISM" para 65% em 2016. E essa redução pode chegar a 55%, caso nenhuma reação pró-mercado aconteça no governo. Em termos financeiros, no melhor cenário, a perda ficará em torno de US$ 20 bilhões no período, mas poderá chegar a US$ 35 bilhões.

Os fornecedores de serviços em nuvem tentam reagir. Todos já solicitaram uma ação pró-ativa do governo dos Estados Unidos. Isso significa adotar uma política mais transparente sobre quais informações estão sendo coletadas. Solicitam ainda que as autoridades proponham um debate internacional sobre como é feita a guarda de informações consideradas confidenciais.

O estudo do ITIF segue a mesma linha do divulgado pela Cloud Security Alliance no final de julho, com as 500 maiores empresas do mundo. O levantamento constatou que entre as companhias que se identificaram como ‘não-americanas’, 56% declararam estar menos inclinadas a contratar serviços com provedores de computação em nuvem baseados nos Estados Unidos, por conta das revelações sobre o acesso do governo dos EUA aos dados. Para a CSA, são números preocupantes.

“Os resultados apontam para uma grande preocupação com o impacto nas atividades comerciais da computação em nuvem como consequência dessas notícias. A CSA clama aos principais responsáveis que adotem um diálogo público para discutir questões de privacidade dos cidadãos e transparência". Posição que o governo americano parece não querer tomar. Em visita ao Brasil, o secretário de Estado, John Kerry, reiterou:"Achamos que nosso serviço de inteligência protege a nossa nação, assim como outros povos. Continuaremos a fazê-lo”.



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