GOVERNO

Mesmo sob "fogo amigo", Mazoni é mantido na presidência do Serpro

Luiz Queiroz ... 15/05/2015 ... Convergência Digital

Depois de ter sido demitido pelo telefone, numa manobra pouco ortodoxa, mas usual desde o Governo Lula, o presidente do Serpro, Marcos Mazoni, foi mantido no cargo. Porém, não há disputa política que não deixe sequelas e Mazoni sabe disso, já que perdeu o controle absoluto sobre boa parte da diretoria da empresa.

Ele foi comunicado ontem, dia 14/05, de que permaneceria no comando da estatal, após passar uma semana tensa à espera de uma confirmação do seu nome pelo Palácio do Planalto, contra a indisposição do Ministério da Fazenda e a ajuda providencial do Ministério da Previdência, que tinha interesse em renovar a diretoria do Serpro para praticar mudanças profundas na estatal. A recondução, assim como toda a nova diretoria já foi publicada nesta sexta-feira, 15/05, no Diário Oficial da União.

Fogo amigo

O episódio da demissão de Marcos Mazoni e, agora da sua recondução ao cargo de presidente do Serpro, depois de oito anos comandando esta estatal, marcará ainda mais o estilo de convivência do PT com o poder. O chamado "fogo amigo" foi capaz de tudo nos últimos meses para prejudicar um histórico militante da própria legenda e abrir vaga para outro correligionário que não milita na mesma corrente dele.

Em Brasília já virou lenda a forma como o PT se tornou na maior oposição ao governo, pela maneira estabanada como correligionários se atracam publicamente ou nos bastidores pelos cargos federais, enquanto alguns dos setoriais do partido lutam pela convergência e unidade na escolha de nomes.

No caso de Mazoni, não faltaram ilações de todos os gêneros e a fabricação do envolvimento do Serpro em escândalos nacionais, com o objetivos claros de prejudicar um diretor que, pela longevidade no cargo deve estar incomodando demais alguns adversários dentro do PT com interesses não confessados publicamente pelo comando desta empresa.

Mazoni, por exemplo, chegou a ter seu nome lembrado, até na imprensa gaúcha, como suposto envolvido no escândalo da Operação Lava-jato. Simplesmente pelo fato do Serpro ter mantido um contrato com uma empresa de TI de um ex-deputado do PT, este sim, enrolado até o fio de cabelo nas investigações da Polícia Federal, ao ter sido pego supostamente praticando atos ilícitos com a sua empresa na Caixa Econômica Federal.

Não bastasse esse dissabor, o presidente do Serpro também teve de assistir poucos dias antes de ser demitido pelo telefone, o anúncio de uma intervenção no fundo de pensão dos funcionários da estatal, o SERPROS, que no balanço do ano passado apresentou lucro.

As coincidências que levaram Mazoni a ter sido demitido "preventivamente" - segundo a versão contada pelo Ministério da Fazenda no Palácio do Planalto, que quis saber os detalhes da rocambolesca história vazada pelo portal Convergência Digital -  são gritantes.

O fundo de Pensão SERPROS está sob intervenção desde o dia 5 de maio, depois do anúncio oficial no Diário Oficial da União. É evidente que um fundo de pensão sempre sofre auditorias, pois são elas que asseguram a boa gestão da entidade e garantem as aplicações feitas pelos funcionários. Mas uma intervenção é o prenúncio de que ali há má-gestão, desvios de qualquer natureza, que prejudicam em instância final o investidor.

Qual a natureza da intervenção no SERPROS? Até o presente momento ninguém sabe e estranha, já que um fundo superavitário foge aos padrões pelos quais o Ministério da Previdência autoriza a Previc - Superintendência Nacional de Previdência Complementar - a agir. Daí começam as coincidências que levaram à queda de Mazoni, agora aparentemente abortada pelo Palácio do Planalto, depois de concluir que o executivo estava sendo queimado politicamente, uma vez que do ponto de vista administrativo não há óbices à sua permanência.

O SERPROS tem dois planos de previdência complementar: O PS-I e o PS-II. No balanço da empresa, o PS-I apresentou um prejuízo em torno de R$ 58 milhões. A diretoria alega que mudanças feitas pela própria Previc no ano passado no cálculo atuarial acabaram por gerar esse prejuízo. O PS-II, entretanto, gerou lucratividade aos investidores. Se esta era a primeira razão da Previc para intervir, então ela é a responsável pela própria confusão.

Outra coincidência na intervenção do SERPROS: o interventor Walter de Carvalho Parente, nomeado pela Previc para exercer a função de administrador especial com poderes próprios, o que afasta toda a diretoria do fundo, é o mesmo nomeado pela secretaria para atuar na intervenção do fundo de pensão PETROS, dos funcionários da Petrobras, em paralelo às investigações da Operação Lava-Jato.

Aí a situação muda de figura. Então o SERPROS também estaria na Operação Lava-Jato? Até o presente momento não há uma única informação oficial da Polícia Federal à respeito, mas esta coincidência foi o suficiente para a oposição ao nome de Marcos Mazoni deduzir que sim ou deixar transparecer dentro dos bastidores do governo, que seria necessário "demití-lo previamente". 

Curioso em toda esta trapalhada política é que até agora somente a cabeça de Marcos Mazoni foi para o cesto e de lá acabou resgatada. A de quem armou a bagunça permanece firme sobre o corpo, apesar de toda a exposição pública.

O que está em jogo

Para tentar entender o que está em jogo, no meio de toda essa confusão, basta um olhar rápido na composição da nova diretoria e as possíveis mudanças que ocorrerão no comportamento do Serpro no mercado de TI governamental nos próximos anos. Essas mudanças talvez não ocorram na velocidade pretendida inicialmente pelo Ministério da Fazenda, já que não deu para retirar o opositor neste momento. Mas a empresa já não será mais a mesma à médio e longo prazos.

Pelo perfil da nova diretoria, dá para ver nitidamente que vem prosperando a tese de um grupo dentro do governo, de que o Serpro deve abandonar o desenvolvimento e a prestação de serviços ao governo e retornar às suas origens, que significaria: voltar-se exclusivamente para o processamento de dados, ao Ministério da Fazenda, tal com está no próprio nome da empresa. Ainda mais agora que o novo cenário econômico abre o espaço para a terceirização em TI em qualquer atividade (meio ou fim) governamental.

O que estará em disputa daqui para a frente será a questão do poder de alcance do Serpro na TI do governo. Com Mazoni, a estatal teve participação ativa no desenvolvimento e na prestação de serviços aos diversos órgãos de governo. Em princípio, esta seria, no todo ou em parte, a mesma visão do Palácio do Planalto (leia-se Dilma Rousseff), pois foi confiado à ele, por exemplo, a responsabilidade de criar um e-mail seguro para resguardar as comunicações internas de governo, após o escândalo da espionagem norte-americana.

Aliás, foi Mazoni quem salvou a imagem de Dilma neste episódio, depois que o ex-ministro das Comunicacões, Paulo Bernardo, no afã de agradar a "chefa", saiu anunciando uma conversa com a presidenta, que resultou na criação de um e-mail seguro para a população através dos Correios, causando pânico nesta estatal que nunca sequer havia cogitado essa hipótese.

Mal ou bem a implantação do e-mail seguro pelo Serpro - que ainda será testado algum dia pelo mundo hacker - está sendo executada pela estatal, que já ativou 55 mil contas, numa meta de um milhão, e vem gerando troca de dados de mais de 200 terabytes entre alguns ministérios e na Presidência da República. Mas a partir de agora já é dado como certo de que Marcos Mazoni não terá controle absoluto sobre o Serpro, já que a nova diretoria não foi escolhida por ele.

Dependerá da sua capacidade de lidar com o problema, para a empresa não viver aos sobressaltos doravante. Do contrário, outras crises surgirão até que a sua credibilidade perante o Palácio do Planalto se desfaça. Daqui para a frente, o tempo correrá contra a permanência de Mazoni, embora se saiba que ninguém sobrevive oito anos em dois governos sem alguma capacidade para engolir sapos. E estes não são "barbudos", embora alguns venham do mesmo brejo.

A nova diretoria do Serpro assim será composta:

Marcos Mazoni - Diretor-Presidente

Glória Guimarães - Diretora-Superintendente (Ex-diretora de Ti do BB, Ex-Secretaria de Logística e TI, Diretora de TI dos Correios)

Antonio Foschini - Diretoria de Desenvolvimento ( Ex-diretor de Logística do BB, Ex-vice-presidente dos Correios)

Antonio João - Diretoria Administrativa (permaneceu no cargo)

Robinson Margato - Diretoria de Operações (anteriormente atuava na Diretoria de Relacionamento com os Clientes)

André de Cesero - Diretoria de Relacionamento com os Clientes (funcionário do Serpro)

Fernando Garrido - Diretoria de Gestão Empresarial (Secretaria do Tesouro Nacional).


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