INCLUSÃO DIGITAL

Conexões ruins levam escolas públicas a contratar acesso privado

Luís Osvaldo Grossmann ... 25/05/2015 ... Convergência Digital

Responsáveis por garantir acesso à Internet nas escolas públicas, as concessionárias de telefonia calculam que 66 mil instituições urbanas já estão atendidas – outras 18 mil estariam recebendo conexões 3G. Mas um levantamento feito pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte indica que o acesso se dá em velocidades tão baixas que o efeito prático é questionável. Segundo o CGI.br, “67% dos professores acham que a velocidade de conexão à Internet ‘dificulta’ ou ‘dificulta muito’ seu uso”.

“Das 631 escolas da rede pública da Região Metropolitana de Natal, metade não possui acesso à internet. Outros 50% tem banda de internet com, no máximo 370 kbps”, sustenta o estudo do Instituto Metrópole Digital, da UFRN, apresentado no ano passado. Vale ressaltar que o programa de Banda Larga nas Escolas, uma obrigação assumida pelas concessionárias, prevê velocidade mínima de 2Mbps – o que já é considerado baixo por conta do uso coletivo da conexão.

Parte do cenário demonstrado pela pesquisa da UFRN é corroborado pela pesquisa TIC Educação, realizada pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação – Cetic.br, parte do Comitê Gestor da Internet no Brasil. Os dados mais recentes mostram que “a baixa velocidade de conexão à rede ainda é um desafio: 52% das escolas públicas declararam possuir uma conexão de até 2 Mbps”.

Segundo o mesmo estudo, em 51% das escolas do Nordeste (e 61% no Centro Oeste) as velocidades são inferiores a 2 Mbps. Na verdade, em 35% das escolas de todo o país a velocidade é, no máximo, de 1 Mbps – sendo que em 17% é inferior a 999 kbps. Além disso, em 9% das escolas a conexão ainda é por acesso discado. No caso do Nordeste, em 19% das escolas não há Internet nos laboratórios de informática.

Um outro levantamento, esse da Associação Brasileira de Provedores de Internet e Telecomunicações (Abrint), “identificou em todo o país operadores regionais que passaram a atender instituições de ensino em razão da baixa qualidade do serviço oferecido por meio do programa Banda Larga nas Escolas”.

O levantamento da Abrint mostra exemplos no Pará e na Bahia, mas mesmo na parte mais próspera do país sobram casos de provedores que suprem a carências das instituições. Em Minas Gerais, a BV Networks deixou de atender escolhas em municípios como Oliveira, Cláudio, Carmo da Mata e São Francisco quando elas começaram a ser atendidas pelo acesso público.

“A velocidade contratada nunca chegou até eles”, conta o dono da empresa, Breno Vale. Ele conta que há cerca de um ano voltou a atender todas as escolas públicas nos municípios cobertos pelo provedor – são atualmente 20 instituições de ensino na região. Vale mencionar, cidades a menos de 200 km da capital Belo Horizonte.

É uma história muito semelhante a do provedor Fasternet, que atua no interior de São Paulo. Segundo o empresário Israel Arruda, “Quando saiu a internet grátis para as escolas acabamos ficando apenas com as escolas área rural onde atendemos via rádio”. No entanto, um ano e meio depois a Fasternet voltava a fornecer o serviço para todas as escolas da área urbana do município de Cerquilho.

Segundo a Abrint, há também situações inusitadas como dos funcionários de uma escola pública em Santa Cruz do Rio Pardo, a 300 km da capital São Paulo, que resolveram pagar pelo serviço por um provedor regional. Segundo o depoimento, “a internet do governo não funcionava, por isso eles recorreram à contratação do serviço”.

 


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