NEGÓCIOS

Dólar assusta, mas TI no Brasil deve crescer mais que o dobro da média mundial

Por Roberta Presscott ... 13/08/2015 ... Convergência Digital

O setor de Tecnologia da Informação deverá ter um crescimento de 7,3% em 2015, segundo projeções da Associação Brasileira das Empresas de Software (Abes) em evento realizado nesta quinta-feira, 13/8, em São Paulo. Se concretizada, será uma taxa maior que a de 6,7% alcançada em 2014. Será também mais que o dobro da média mundial prevista para 2015 de 3,43%, um índice, aliás, inferior que os 4,04% registrados em 2014.

No entanto, tais indicadores, sustenta a ABES, devem ser lidos com ressalvas. Os dados que suportam esta previsão foram colhidos pela IDC no início deste ano e ainda podem ser impactados pela variação cambial. Em 2014, a alta do dólar foi responsável por, em números absolutos, recuar os investimentos em TI, apesar do crescimento porcentual.

De acordo com os dados mostrados, que fazem parte do estudo IDC IT Black Book, o presidente da Abes apontou que a indústria brasileira de software registrou investimentos de US$ 60 bilhões em 2014, ficando na sétima posição do ranking mundial. Em 2013, o montante foi de US$ 61 milhões. O investimento em TI no mundo foi de US$ 2,09 trilhões no ano passado. Os números excluem as exportações.

Falando para executivos do setor de TI, Jorge Sukarie, presidente da Abes, mostrou otimismo. “Apesar da situação desafiadora que vivemos hoje no Brasil, acho que temos grande oportunidade em tecnologia e seguir crescimento a taxas maiores que a média mundial”, destacou. Para ele, nos próximos três a cinco anos, veremos uma evolução tecnológica maior do que tivemos últimos dez anos. Isto permitirá a criação de modelos de negócios disruptivos. Sukarie mostrou um estudo da The Economist Intelligence Unit que mostra que o Brasil vai permanecer como sétima economia mundial em 2050. “É o único país que permanece na mesma posição.”

A China sobe para primeiro lugar no ranking, seguido dos Estados Unidos, Índia, Indonésia, Japão e Alemanha. Uma novidade é o México galgando posições e se posicionando em oitava maior economia do mundo. “A mensagem é que, independentemente de política e governo, o Brasil vai continuar sendo uma das maiores potências do mundo. Seguramente este momento de hoje vai passar”, disse, sinalizando que a área de TI vai ajudar a fomentar o crescimento do País.

Dados do setor

No ranking mundial de investimentos em TI, os Estados Unidos figuram no topo da lista, somando US$ 679 bilhões, seguido pela China (US$ 201 bilhões). Imediatamente à frente do Brasil, a França, em sexta colocação, teve US$ 73 bilhões de investimentos, mas um crescimento em 2014 em relação a 2013 foi de apenas 0,2%. Para Sukarie, o Brasil deve passar a França e posicionar-se em sexto lugar no ranking de TI dentro dos próximos cinco anos. Olhando para a América Latina, os investimentos somaram US$ 129 bilhões, sendo que o Brasil representa 46%. Em segundo lugar, o México representa 18% do total da região.

O setor brasileiro de software somou US$ 11,4 bilhões, enquanto o de hardware foi de US$ 34,8 bilhões e de serviços, US$ 13,8 bilhões. Considerando apenas software e serviço, a taxa de crescimento foi de 9,7% em 2014 em relação a 2013. O estudo também apontou que a participação da região Sudeste caiu, sinalizando uma melhora na distribuição dos investimentos no País.Em 2014, o Sudeste respondia por 60,67% dos investimentos, menos que os 65% em 2012. Em contrapartida, Sul subiu de 12% para 14,53%; o Nordeste de 8% para 10,11% e o Norte de 2% para 3,77%. Já o Centro-Oeste recuou de 13% para 10,92% sua participação no total dos investimentos.

 


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