OPINIÃO

Resultado do PIB mostra que aumento de impostos está descolado da realidade

Por Humberto Barbato*
28/08/2015 ... Convergência Digital

A atividade da economia encolheu 1,9% no segundo trimestre em relação ao trimestre imediatamente anterior, sendo que já havia recuado 0,7% no primeiro. O resultado foi muito pior do que era esperado. O aprofundamento da recessão na passagem do primeiro para o segundo trimestre, após ajuste sazonal, é o pior que se tem notícia em toda a série histórica desde 1996. Para o acumulado no primeiro semestre do ano, o resultado expressou queda de 2,1%, em relação a igual período de 2014.

A partir dos resultados noticiados, as previsões para a retração do PIB neste e no próximo ano serão revisadas (atualmente estão em -2,06% para 2015, e -0,24% para 2016, de acordo com o Relatório Focus). Neste contexto econômico, a indústria de transformação continua sendo prejudicada.

A queda no segundo trimestre foi de 8,3% em relação a igual período do ano anterior e de 7,6% no primeiro semestre do ano frente a igual período de 2014. Sem conseguir promover uma forte recuperação das exportações, a despeito da desvalorização cambial, e sofrendo com o aumento da taxa de juros e o fim dos estímulos tributários, o cenário para a indústria no segundo semestre é dramático.

Com este panorama adverso tornam-se ainda mais descolados da realidade os últimos movimentos do governo em aumentar o peso da carga tributária para a economia produtiva. Na semana passada, apesar dos inúmeros apelos e reuniões realizadas com representantes do executivo e legislativo, tivemos o revés da aprovação da reoneração da folha de pagamentos, o que trará impactos extremamente negativo para os mais de 50 setores desonerados.

No caso da indústria elétrica e eletrônica, que tinha cerca de 600 NCMs contempladas pela desoneração, a medida atinge 50% do universo total de produtos do setor, o que certamente afetará o nível de atividade e, principalmente, a capacidade de geração e manutenção de empregos. Até julho, o setor eletroeletrônico já havia demitido cerca de 15 mil trabalhadores. E, infelizmente, o número, já alarmante, pode se agravar com a exacerbação das condições desfavoráveis que surgem a cada dia.

A mais recente delas é sobre a possibilidade de volta da CPMF, o que caracterizaria uma “política anticíclica ao crescimento econômico”. Ou seja, quando precisamos fazer a economia girar, a volta de um imposto já superado faria a economia desacelerar ainda mais. O fato inescapável é que o governo precisa parar de gastar, com medidas efetivas e não apenas com anúncios que nunca se concretizam.

No atual nível de atividade, tirar mais dinheiro da produção para jogar na máquina pública é, sem dúvida, querer diminuir ainda mais o ritmo da economia. Por isso, não faz sentido e é inaceitável que se pense numa hipótese como essa nesse momento. Esperamos que os parlamentares tenham sensibilidade e consciência da crise e entendam que a volta deste imposto, somada ao fim da desoneração, jogaria a última pá de cal na economia, gerando um grande risco de impactos sociais advindos do desemprego.

*Humberto Barbato é presidente da Abinee (Associação Brasileira da Indústria Elétrica Eletrônica)




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