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Amdocs: TV paga precisa mudar para sobreviver à nova era do conteúdo

Convergência Digital - Carreira
Ana Paula Lobo - 13/02/2019

Os brasileiros estão, sim, cortando a TV paga tradicional (“cord cutters”) por conta dos aplicativos de conteúdo, os SvoD, onde a Netflix nada de braçada, e os OTTs, como You tube e, dentro de pouco tempo, o próprio Facebook, que está comprando a transmissão de conteúdos exclusivos, especialmente, o futebol, revela estudo feito pela Amdocs. Na disputa pelo assinante, adverte o VP para a América Latina da companhia, Renato Osato, não faz sentido e dói no bolso usar apenas o 4G - e a melhoria clara da sua cobertura - para suportar a demanda de streaming.

"As teles vão ter de repensar a estratégia de WiFi para enfrentar o novo momento. O conteúdo ainda é o dono da festa, mas a publicidade é o grande diferencial e quem vai pagar a conta e está entrando como conteúdo. A combinação 4G e WiFi é imperativa, como também será a fibra, com o 4G e o WiFi. A transmissão terá de ter qualidade cada vez melhor e estável, nas telas alternativas que não a da TV tradicional", reforçou o executivo, durante coletiva de imprensa, nesta quarta-feira, 13/02, na capital paulista.

A pesquisa deixa claro que a  TV paga tradicional vai continuar perdendo base se não mudar. O estudo apurou que grande parte dos consumidores brasileiros - 61% - já é assinante de mais de um provedor de conteúdo. E mais: 70% dos entrevistados estariam dispostos a assinar mais de um serviço de conteúdo se houvesse o chamado 'pacote perfeito', ou seja um bundle personalizado. Isso impõe uma mudança de atitude das programadoras, donas do conteúdo.

"A cadeia fica engessada mesmo. As programadoras querem vender mais e mais canais para ter rentabilidade. Mas muita gente não quer mais ter 150 canais, quando assiste 10 no máximo. Eles querem uma carteira personalizada", observou Osato. Corroborando a busca pelo pacote perfeito, 75% dos participantes brasileiros explicitaram não estarem satisfeitos com a variedade de conteúdo de vídeo e TV a qual têm acesso, mesmo gastando, em média, R$ 250,70 por mês nesse tipo de assinatura.

A pesquisa indica que enquanto o mercado de TV por assinatura deve ficar estável até 2022 na América Latina, para os OTTs, será de crescimento exponencial, num indicativo que eles conseguirão atrair clientes que nunca sequer assinaram contrato com uma operadora de televisão. O estudo adianta que o SVoD vai crescer de pouco mais de 20 milhões de usuários na América Latina em 2018, para 35 milhões em 2022.

“No Brasil, para cada contrato perdido por uma operadora de TV em 2017, os SVoD conquistaram três novos, o que significa que não é apenas um desligamento por crise econômica. É opção mesmo”, observa Jesus Luzardo, head de marketing da Amdocs para a América Latina e Caribe.

Dados do estudo mostram que a Netflix é líder absoluta e está presente em 24% das residências com alguma assinatura SVoD.  O relatório mostra ainda que  pacote 'perfeito' do brasileiro deveria ter: séries de 'binge-watching', ou seja, que tenha prioridade para quem vê primeiro, eventos e shows ao vivo e acesso aos jogos e comepetições do seu time específico.

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