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Governo sustenta nuvem pública. Gestores lidam com altos e baixos do orçamento

Convergência Digital
Ana Paula Lobo, Luís Osvaldo Grossmann e Pedro Costa - 25/11/2019

Especial - Mesa Redonda - Computação em Nuvem e o impacto nos serviços governamentais - Convergencia Digital

O primeiro grande pregão para uma contratação unificada de nuvem pública mostrou-se um aprendizado importante para o governo federal, que servirá de referência para futuros pregões. Afinal, a computação em nuvem chegou para ficar na administração pública, segundo ressalta a Secretaria de Governo Digital. 

Os planos são de incorporar mais tecnologia, para além da digitalização de serviços e passando a incorporar inteligência artificial. Na lógica de que uma sociedade conectada como a brasileira exige que o Estado ofereça também ferramentas acessíveis como é realidade em qualquer smartphone. 

Ao discutirem a importância da tecnologia, estratégias de implementação, dúvidas de migração e até temas de segurança da informação, gestores que estão diretamente envolvidos na transformação digital apontam caminhos, vantagens e dilemas da jornada digital. 

Centralização da nuvem é mais eficiente 

A estratégia de usar computação em nuvem na digitalização e oferta de serviços passa pelo aprendizado da primeira contratação centralizada desse serviços na administração federal. A lógica, explica o secretário de governo digital, Luis Felipe Monteiro, é de multinuvem: dados públicos em nuvem pública, dados pessoais, classificados, em nuvem estatal. 

“Como os dados de governo a maioria deles são públicos, não há razão de a gente ter investimento para a criação dessas nuvens ou a contratação dessas nuvens com empresas públicas. Os dados que são classificados, dados do cidadão, privacidade, dados pessoais, dados fiscais, dados protegidos por sigilo, nossa ideia é que eles fiquem nas nuvens de governo”, afirma Monteiro. 

A estratégia geral é de contratações centralizadas, com a nuvem mantendo-se como principal ferramenta, em substituição à infraestrutura própria na maioria dos casos. “Não faz sentido do ponto de vista administrativo, se o catálogo base é o mesmo, que cada órgão faca sua contratação separada. Faz mais sentido que a SGD, que tem condições de dedicar recursos e esforços para esse objeto, prepare não apenas as consultas e especificações, mas que também ofereça esse instrumento de contratação centralizada por todos os órgãos. Não limitamos que os órgãos tenham seus contratos de nuvens individuais. Eles podem fazer. Mas isso é antieconômico.”

Depois da digitalização, serviços inteligentes

As mais diversas estatísticas de uso de ferramentas na internet destacam o Brasil no topo dos ranking de uso de redes sociais, tempo conectado, etc. É, portanto, quase uma obrigação do Estado acompanhar essa digitalização e oferecer serviços acessíveis como é a realidade dos aplicativos, como defende o diretor de operações compartilhadas da Secretaria de Governo Digital, Merched Oliveira. 

“O Brasil é o quarto país mais conectado no mundo. Queremos em dois anos que o cidadão não precise mais ir até o balcão, refazer cadastro, etc. E já estamos chegando no ponto de desenhar transformação 2.0, colocar inteligência. Por exemplo, não precisa colocar um servidor para verificar se uma certidão está vencida. Pode colocar inteligência artificial, Big Data, e isso ser aprovado automaticamente. Vamos aproveitar que os brasileiros estão conectados para avançar no digital.”

PRF: Demanda e classificação de dados exigem mais do uso da nuvem

Uma realidade dos órgãos públicos é o uso do Sistema Eletrônico de Informações como plataforma múltipla, com a consequência direta da demanda crescente por armazenamento. A nuvem é a resposta ideal. Mas ao mesmo tempo gera dúvidas por conta da classificação da informação. 

“O SEI é um sistema que cresce exponencialmente para nós. Na nuvem consigo escalar isso facilmente. On premises não. Talvez tenha que usar essa justificativa para adquirir mais storage para abarcar esse crescimento exponencial. Mas temos processos restritos lá dentro. Operações, apoio à Polícia Federal, ao Ministério Público. Operações que são sigilosas. Também temos processos sigilosos no SEI. Então por isso não sabemos se é o momento de subir”, destaca o chefe de Infraestrutura e Serviços de TI da PRF, Fabio Williams de Sousa. 

Iphan: Crescimento exponencial faz da infraestrutura própria um dilema aos órgãos públicos

A opção pela nuvem gera discussões de cada órgão sobre a gestão dos dados. Mas é certo que dá a escalabilidade que em uma infraestrutura própria é de custo discutível. “O Sistema Eletrônico de Informações já exige 8 TB de disco por ano. E o crescimento é exponencial. Ter infraestrutura para isso é um desafio interno. Manter on premises significa comprar de tempos em tempos para suportar isso”, aponta o Coordenador-Geral de Tecnologia da Informação do Iphan, Sérgio Porto Carneiro.

Na gestão dos dados, a classificação começou ainda com a Lei de Acesso à Informação. E como lembra Carneiro, mesmo órgãos sem dados sigilosos acabam mantendo dados restritos. “Processos de pessoal também em geral são restritos. Ser restrito já impede estar na nuvem?”, discute. 

IFPI: Nuvem muda lógica orçamentária de investimento para custeio

A realidade do gestor público envolve altos e baixos orçamentários, com impacto direto nos recursos de tecnologia da informação. Com limitações cada vez mais severas sobre os investimentos, a transição promovida pela computação em nuvem passa esse gasto para o custeio, como lembra o diretor de tecnologia da informação do IFPI, Eduílson Carneiro. 

“Tivemos conversas bem interessantes com a alta gestão, administração, a própria reitoria. E houve apoio, entendimento e sensibilização de que essa era a alternativa mais viável. Uma das grandes motivações da nuvem é a mudança de paradigma de custo, sai de investimento e vai para custeio”, afirma. 

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