OPINIÃO

Covid-19 enterra a resistência à economia digital

Por Celso Braga*
22/05/2020 ... Convergência Digital

As grandes mudanças que estamos vivendo nas empresas, adoção de ambientes digitais, mudança na prestação de serviços, mudanças na produção e nos produtos por causa do Covid19, são algo sem precedentes na história. Motivo pelo qual os executivos precisam tomar decisões constantes num ambiente totalmente incerto, sendo pressionados emocional e intelectualmente em todos os níveis da organização. E é nesta hora, onde são necessárias mais e mais mudanças, que podemos observar como os fundamentos da cultura de uma organização estão funcionando.

Está claro que empresas com melhores fundamentos de cultura têm mais condições de enfrentar e sair da crise, voltando a conquistar seu lugar ao sol. A cultura é a soma daquilo que se sente, pensa e faz, validado por um grupo de pessoas, revelando um “modo de ser” possível de se observar em toda a organização. Assim, se a empresa já não cuidava de pessoas, não vai passar a cuidar agora, se ela já cuidava vai continuar tendo esse pilar como foco. Se ela já era preocupada com a sociedade vai continuar assim, se não era também vai continuar não se preocupando, e por aí vai. Em cada situação a cultura da organização vai ficando cada vez mais clara e transparente.

Isso vale para o comportamento das pessoas também, quem era pouco engajado vai continuar assim, quem tinha energia para contribuir vai continuar assim. As coisas não mudaram na cultura nem na forma como as pessoas individualmente se expressam, somente tiveram suas cores intensificadas, colocadas num palco no qual todos conseguem ver com mais clareza.

Os executivos mais fortes estão aproveitando este momento para acelerar as transformações culturais que de alguma forma já eram necessárias e sofriam resistências. Ter um maior uso de home office, por exemplo, era rejeitado por alguns líderes, mas os executivos sabiam que era necessário e estavam esperando o tempo de adaptação das lideranças. O tempo acabou, portanto, a nova cultura virá com este modelo incorporado.

Acabará a permissão para pessoas muito resistentes, quem não se adaptar não terá mais tempo para fazê-lo, e não será possível voltar atrás. Pessoas sem engajamento, com baixa performance, pouco envolvimento, não terão mais tempo para entrar no jogo. A cultura colaborativa, empreendedora, pouco resistente a mudanças entrou no jogo e agora está sendo acelerada.

É preciso planejar já, não podemos esperar tudo voltar ao ritmo de antes sem a preparação para uma nova cultura. E os melhores executivos estão se movendo, estão audaciosamente organizando a volta, mexendo na sua forma de gestão, buscando demonstrar que precisam que todos entrem no jogo e que não existe mais lugar para resistências.

Os C-levels, presidentes, vice-presidentes e diretores têm sido os que cuidam de tudo e de todos, geralmente ficando à mercê de sua própria força. Bom, todo mundo já esperava que eles estivessem preparados para crises não é verdade? Só não sabiam que algo deste porte pudesse mudar o jogo e exigir uma preparação que ninguém seria capaz de ter em seu repertório. De alguma forma, pessoas mais engajadas, mais empreendedoras, mais destemidas apresentaram melhores bases para suportá-los nesta transição.

De qualquer forma, ninguém estava 100% preparado para algo dessa magnitude, mas com certeza somos capazes de encontrar as respostas. Precisamos pensar juntos e organizar uma nova cultura, que responda os anseios de tempos melhores. Mas, qual seria essa nova cultura de tempos melhores?

Vejo que a cultura empreendedora é a que vai pautar as organizações daqui para frente. Significa que as pessoas terão que sentir conforto e ter liberdade para pensar diferente, ou seja, ter um ambiente realmente seguro para experimentar novos processos a fim de encontrar novos resultados. Também acredito que as empresas vão mudar seu modo de remunerar, passando de um salário fixo para valor agregado, quem faz ou contribui mais, terá maior recompensa.

Mudar para o modo empreendedor é também assumir mais riscos, calculados de forma mais rápida. Vai ser um ambiente de contínua aprendizagem e de ação ágil, onde paradigmas como “manda quem pode obedece quem tem juízo” desaparecem, dando lugar para o “faz quem pode, com juízo e responsabilidade”.

A liderança vai ter que fomentar a cultura empreendedora e também ser o modelo que assume o compromisso total com as transformações. São novos paradigmas para liderar quando se trata de ser mais empreendedor como líder. Será extremamente desafiador, mas absolutamente necessário deixar de ser conservador, de depender do controle, de ver o erro como falha, para ser construtor de ideias, incentivador de iniciativas, gerador de ambientes que possibilitem que as pessoas possam se envolver com o que estão fazendo de maneira mais profunda e interconectada.

Nem preciso dizer que “accountability” como conceito passa a ser parte da cultura empreendedora e da vivência das pessoas no dia a dia, da base até o topo da empresa. “Accountability” é uma palavra que não tem uma tradução efetiva para o português, onde alguns chamam de senso de responsabilidade, mas que evidentemente é mais do que isto. Na cultura empreendedora a pessoa passará a entender que o negócio também é seu e assume total envolvimento com ele, tendo assim accountability.

A cultura nas organizações voltadas para o controle e continuidade já dava sinais de que estava se rompendo, já se falava em proatividade, empreendedorismo, protagonismo, organizações ágeis, cultura colaborativa entre outros atributos que em resumo podem se traduzir na força empreendedora que segue avançando e construindo os negócios.

O que importa é que uma nova cultura, empreendedora, capaz de construir tempos melhores precisa passar necessariamente pela mudança de crenças enraizadas, transformar pensamentos conservadores e refletir diretamente na mudança no comportamento de todas as pessoas envolvidas.

Durante essa transformação cultural, adotar novos símbolos, novos processos e ritos que evidenciem a valorização da cultura empreendedora e os comportamentos que levam a ela são parte do caminho. Isso inclui investir em autonomia, em colaboração produtiva, em ambientes seguros e flexíveis, além de garantir práticas e espaços de desenvolvimento humano. A melhor parte disso tudo: não precisa saber como trilhar este caminho, basta querer. Bem-vindos a este novo tempo!

Celso Braga é Sócio-diretor do Grupo Bridge, empresa especializada em desenvolvimento humano há mais de 25 anos. Celso também é Psicólogo e Mestre em Educação, pós-graduado em Psicodrama Sócio Educacional pela ABPS, Professor supervisor pela FEBRAP e autor de 10 livros.

 


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