Clicky

Convergência Digital - Home

Neoenergia desenvolve tecnologia nacional para comunicar equipamentos de redes inteligentes aos datacenters

Convergência Digital
Convergência Digital - 16/10/2020

Medidores de energia e sensores de redes inteligentes, além do uso de analytics, já fazem parte das tecnologias adotadas pela Neonergia, em uma tendência que deve crescer nos próximos anos no setor elétrico. A companhia criou o concentrador Multilink para conectar esses equipamentos. Uma das vantagens é que essa é uma solução interoperável, ou seja, compatível com equipamentos de fabricantes diferentes. O projeto adota um padrão aberto para comunicação por redes de radiofrequência mesh Wi-SUN. A iniciativa faz parte do Programa de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D), regulado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

"A Neoenergia é pioneira no desenvolvimento dessa tecnologia, que contribui com nossa estratégia de digitalização para os clientes usando padrões abertos e interoperáveis. O resultado são investimentos otimizados em infraestrutura de medição e automação, que permitirão a melhoria da qualidade do fornecimento e da gestão do consumo pelos clientes", afirma o gerente de Projetos Estratégicos em Tecnologia, José Luiz de França Neto.

O que é o Multilink

O concentrador Multilink serve como um elo entre equipamentos em campo e os centros de operação e datacenters. Para isso, agregará dados dos chamados end devices, que são sensores e medidores inteligentes, além de medidores de balanço e equipamentos de Sistema de Medição Centralizada (SMC). Essas informações são criptografadas e enviadas, em seguida, para os sistemas de medição e operação das empresas. Com isso, é possível fazer desde a leitura remota do consumo de energia dos clientes até a análise em tempo real da rede elétrica para a melhoria do fornecimento. O Multilink receberá dados através de um gateway, produto também desenvolvido no projeto, e de end devices desenvolvidos por fabricantes que adotam o padrão Wi-SUN.

Para transmitir as informações para os sistemas das distribuidoras, o Multilink poderá usar múltiplos canais de comunicação, incluindo redes celulares 4G/LTE, WiMAX, satélite e rádio digital na frequência de 2,4GHz com modulação OFDM (orthogonal frequency-division multiplexing), que torna o sinal transmitido mais resiliente a interferências. O Multilink também possui portas de expansão, para conexão com outros meios de comunicação já existentes ou que possam vir a surgir no futuro.

O projeto foi iniciado pela Neoenergia em 2018, com duração de três anos. A solução foi testada na cidade de Salvador (BA), com sensores inteligentes, criados também no âmbito do P&D da Neoenergia. "Já temos resultados bastante promissores do concentrador Multilink, do ponto de vista da interoperabilidade e da utilização de diferentes canais de comunicação. Esse equipamento faz parte de um projeto estratégico estruturante denominado "Desenvolvimento de Tecnologia Nacional para Redes Elétricas Inteligentes", que tem como objetivo principal o desenvolvimento de tecnologias brasileiras que contribuam para a redução das perdas, melhoria da qualidade e da segurança da rede", diz o gerente de Pesquisa e Desenvolvimento da Neoenergia, José Antonio Brito.

O desenvolvimento da tecnologia de comunicação é realizado em parceria com a Tecsys e o Lactec, que são membros da Wi-SUN Alliance, consórcio internacional para certificar e proliferar soluções na área. O padrão é baseado no IEEE 802.15.4g, adotado em aplicações de redes inteligentes, cidades inteligentes e Internet das Coisas (IoT), que demandam flexibilidade e robustez da rede de campo, agora suportadas pela nova tecnologia Multilink.

Protocolo DLMS nacional

Em busca de mais soluções interoperáveis para medidores inteligentes, a Neoenergia está contribuindo com o desenvolvimento de uma proposta de protocolo brasileiro DLMS (Especificação de Mensagem na Linguagem do Dispositivo, na sigla em inglês), com o objetivo de promover evolução do padrão nacional definido pela ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas). O projeto também é parte do Programa de P&D da Aneel.

"A Neoenergia apresentou uma proposta inicial de perfil DLMS, para servir de base para definição do protocolo nacional. Os objetivos do grupo de trabalho são de adaptar ao padrão internacional os requisitos regulatórios do Brasil e promover a interoperabilidade dos medidores inteligentes, estimulando o seu uso no país", explica Débora Catão, engenheira de Smart Grids da Neoenergia.

A companhia participa de grupos de trabalho com o Comitê Brasileiro de Eletricidade, Eletrônica, Iluminação e Telecomunicações (COBEI), integrado por distribuidoras de energia e fabricantes de equipamentos. Após a conclusão da proposta, ela deverá ser submetida para consulta pública pela ABNT antes de ser aprovada. Será construído também um laboratório de certificação de medidores interoperáveis.

"No projeto Multilink, tivemos a oportunidade de desenvolver hardware e software Wi-SUN, quando esse padrão ainda estava em especificação pela aliança mundial. Hoje, ele opera de forma integrada com equipamentos de fabricantes globais. Com o desenvolvimento do protocolo DLMS brasileiro, teremos uma cadeia completa de interoperabilidade com domínio tecnológico nacional. A implantação do Multilink e dos laboratórios de certificação garantirão a continuidade tanto da interoperabilidade quanto do conhecimento tecnológico", afirma o pesquisador sênior e coordenador do projeto pelo Lactec, Rodrigo Jardim Riella.


Destaques
Destaques

Multinuvem do Serpro vai concorrer com a do Ministério da Economia

Estruturada a parceria com AWS, Huawei e Azure, da Microsoft, estatal passa a disputar contratos com órgãos públicos, em briga direta com nuvem licitada e gerida pela Secretaria de Governo Digital.

Por que se tornar uma empresa data-driven?

Data-driven ou orientada a dados. É esse o novo lema das companhias que, cada vez mais, estão armazenando e analisando dados em busca de insights de negócios. Mas o que as empresas devem fazer para abraçarem os dados de forma a promover benefícios estruturais e longevos? A resposta não é simples.



Veja mais vídeos
Veja mais vídeos da CDTV

Veja mais artigos
Veja mais artigos

Serviços SaaS, proteção de dados e a LGPD

Por Eder Miranda*

Ter um plano abrangente de proteção adicional de dados para as plataformas SaaS é vital para os negócios, uma vez que as empresas não podem abrir sem ter o controle sobre o que está sendo protegido e sobre a maneira como isso está sendo feito pelos fornecedores de software como serviço.

Cloud é bom, mas quem gerencia?

Edmilson Santana*

Se a nuvem soluciona problemas de um lado, de outro sua operação demanda a formação de um time capaz de traduzir demandas de negócio em continuidade operacional, e isso de forma ágil, produtiva e consistente.


Copyright © 2005-2020 Convergência Digital ... Todos os direitos reservados ... É proibida a reprodução total ou parcial do conteúdo deste site