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Na liderança, curiosidade insana e coragem impactam mais que a competência

Por Roberta Prescott* - 07/12/2020

Compartilhar exemplos de mulheres dá a elas otimismo para que subam a escada corporativa, destacou Indra Nooyi, membro do board da Amazon e ex-CEO e chairman da PepsiCo, em uma conversa com Teresa Carlson, vice-presidente para setor público na AWS, durante o re:Invent 2020.  Indra Nooyi contou que, durante a sua carreira e interação com grupos de mulheres nas diferentes subsidiárias da PepsiCo, a questão sobre equilíbrio entre vida pessoal e profissional era levantada, mas, surpreendentemente, disse, mais ao final dos debates.

As perguntas vinham mais no sentido de saber como ela lida com questões difíceis, como faz o gerenciamento de mudanças acontecer, como traz outras pessoas junto, como constrói equipes, como faz o planejamento de sucessão. "Então, as perguntas das mulheres não são exatamente diferentes das perguntas feitas por ambos, líderes homens e melhores. Elas enfrentam os mesmos tipos de problemas, de preocupações, e elas também estavam liderando grandes organizações e divisões", contou.

Teresa Carlson assinalou que é perguntada bastante sobre o equilíbrio entre vida pessoal e profissional e encontrado mulheres jovens mais direcionadas a como criar um plano de carreira. "Acho que nós duas [se referindo a Indra Nooyi] somos apaixonadas por garantir que as mulheres tenham todas as oportunidades possíveis para suas carreiras, não importa em que estágio vida em que estejam", disse. Falando sobre a pandemia da Covid-19 e seus impactos, Teresa Carlson questionou se Indra Nooyi teria alguma dica para as mulheres deixando o espaço de trabalho.

"A Covid tem sido um grande desafio para todas as pessoas no mundo e tem sido uma crise existencial para muita gente. Agora, toda vez que há uma crise no mundo, as mulheres acabam aumentando desproporcionalmente [o trabalho em] casa. E isso está acontecendo nesta crise, com as mulheres não sendo apenas gerentes ou trabalhadoras remuneradas, mas com um dever duplo em casa, como o de professoras", assinalou Indra Nooyi, apontando que, ainda muitos homens tenham se colocaram à disposição para ajudar, as mulheres estão arcando com uma parte desproporcional do fardo. "Todos devem contribuir igualmente, porque meu medo é que, se as mulheres têm de fazer muito e, portanto, elas podem não funcionar no trabalho, elas ficam para trás e ficarem exaustas. Devemos estar bem cientes desses efeitos."

Outro lado da Covid é que muitos líderes estão sendo obrigados a tomar decisões com informações imperfeitas, dados imperfeitos. Nesse cenário, como abordar a tomada de decisões quando os dados são escassos? "O melhor que você pode fazer é aprender à medida que avança. Sou muito honesta e comunico as informações ao público, sem uma sensação de pânico", respondeu Indra Nooyi, que trabalhou junto ao governo na abertura de Connecticut.

"A última vez que tivemos uma pandemia foi há 102 anos. Portanto, não há realmente ninguém que tenha base de conhecimento. Você tinha de escrever as regras à medida que avançava; e isso tornou o desafio ainda maior. O maior problema que eu vi ao executar a reabertura de Connecticut é que não sabíamos como interagir com o governo federal ou os Estados. Esse era o problema número um. O segundo são os vírus sem fronteiras. O terceiro é que nosso sistema de saúde funcionou, em alguns casos, não tão bem", analisou.

Ensinamentos

Ao longo da interação, ambas as executivas compartilharam ensinamentos que tiram de suas carreiras e experiências. Indra Nooyi ressaltou aprendeu a não ser duas pessoas, uma enquanto está em ambiente de trabalho e outra, no social. "Eu decidi que seria apenas uma pessoa; o que você vê no privado e no público é igual. Foi uma decisão que tomei há muito tempo e é melhor deixar que as pessoas vejam quem você é", defendeu. Outro aprendizado de Nooyi é que, ao contratar alguém, você, na verdade, está contratando a família inteira, todo o ecossistema que envolve a pessoa.

Com relação ao que ela busca em um profissional, Indra Nooyi afirmou não ser tradicional neste sentido. "Sempre gostei de pessoas que tenham uma curiosidade insana e coragem. Não adianta ter apenas a pessoa mais competente. Portanto, procuro curiosidade e coragem, essas são as duas qualidades especiais que continuo testando quando entrevisto pessoas para promoções ou contratações."

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