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Trabalho híbrido, cloud, segurança, 5G: como fica o mercado de TI no Brasil?

Por Mauricio Suga* - 15/04/2021

A pandemia da Covid-19 e as mudanças decorrentes dela foram grandes aceleradores da transformação digital, tanto no Brasil quanto a nível mundial. Mudamos a maneira como trabalhamos e entendemos o local de trabalho, como gerimos e nos relacionamos com equipes e, também, revisitamos as prioridades de investimentos organizacionais, sejam elas de curto ou longo prazo.

Sem dúvidas, a digitalização é uma das prioridades para este e para os próximos anos. Segundo a Deloitte, em levantamento sobre as expectativas e intenções dos líderes empresariais para o ambiente de negócios no Brasil, 62% dos respondentes consideram que a meta das empresas para 2021 é assumir uma mentalidade mais digital, focada em estratégias e gerar, assim, mais valor.

É importante ressaltar que o que era visto como digitalização, também sofreu alterações durante a pandemia. A queda de importantes barreiras culturais e alterações na infraestrutura tecnológica necessárias para o atendimento das demandas emergenciais decorrentes da crise criaram uma base para uma "nova digitalização", com novos pilares de negócio. Por isso, abordo a seguir cinco grandes tendências fundamentais para esse novo modelo.

A primeira grande tendência que gostaria de ressaltar é o que chamamos de regime híbrido de trabalho. Uma pesquisa da Robert Half de 2020 mostra que 89% dos executivos pretendem voltar aos escritórios, mas vão permitir que suas equipes continuem trabalhando de casa ao menos parte da semana. Ao mesmo tempo, outro levantamento da consultoria mostra que 86% dos funcionários de empresas gostariam de continuar trabalhando remotamente. Nesse regime híbrido, o modelo operacional, outrora centralizado em locais físicos, passa a ser distribuído, gerando desafios e oportunidades em toda a cadeia de valor.

Internamente, essa mudança de comportamento impõe o desafio de proporcionar uma experiência melhor e mais positiva aos seus colaboradores e um olhar mais atento em toda a cadeia para a preservação da cultura organizacional, proteção de dados e eficiência operacional. Dentro deste contexto, os espaços físicos serão repensados para promover interatividade e os meios digitais alavancados cada vez mais para atender a questões de mobilidade, disponibilidade e segurança. Do ponto de vista externo, a mudança do físico ao digital abre novos mercados consumidores e uma enorme oportunidade de crescimento de negócios em uma escala completamente diferente dos modelos tradicionais limitados geograficamente. 

Essa nova realidade é o contexto ideal para a aceleração do que coloco como segunda tendência: nuvem. Embora seja uma tecnologia com crescimento bastante expressivo no período pré-pandemia, o que se espera para os próximos anos é um mindset cloud-first muito mais maduro nas empresas. Na América Latina, de acordo com estudos recentes da Accenture, 97% das companhias pesquisadas avaliam que a nuvem é um componente crítico para atingir seus objetivos de negócios, e mais da metade dos entrevistados afirmam que 75% de seu fluxo de trabalho já é feito em sistemas na nuvem.

É importante também compreender que com a maturidade alcançada pelas empresas, o conceito de cloud também evolui. Antes vista mais como infraestrutura, a visão do que entendemos por nuvem mudou para serviços de alto valor que proporcionam inteligência de dados, automatização, mobilidade, segurança e experiência ao usuário. Essa tecnologia, assim, se consolida como sendo um dos pilares principais para as outras tendências que mencionarei adiante. Ainda sobre este tema, a infraestrutura de nuvem se altera para estar cada vez mais próxima ao usuário (edge computing) entregando uma melhor experiência para serviços em tempo real. 

Como terceira tendência, trago a automatização em grande escala. A pandemia trouxe à tona algumas fragilidades e oportunidades de melhoria nos processos de trabalho. O uso de tecnologias de machine learning, inteligência artificial (IA) e RPA (Robotic Process Automation) devem ampliar a automatização em todos os níveis das organizações para diminuir os impactos de riscos operacionais, acelerar os processos de trabalho de maneira a adequar-se aos tempos requeridos nos meios digitais e gerar cada vez mais dados confiáveis para um processo ágil de tomada de decisão.

Uma operação distribuída com infraestruturas em nuvem e automatizada traz grandes desafios na segurança, proteção de dados e continuidade dos negócios. Desta maneira coloco como quarta grande tendência a mudança nas estratégias de segurança. Com as novas características, as estratégias baseadas em proteção de perímetros deixam de ser eficazes. A segurança deixa de ser baseada em "onde" e passa a se importar mais em "quem" e "o que" se pode acessar. O uso de tecnologias de gestão de identidades e análises de comportamento para identificação de anomalias baseadas em IA devem ganhar uma adoção expressiva. Adequação às normas como a LGPD dentro deste novo contexto, também impulsionarão essa mudança. 

Por fim, estas transformações demandarão conectividade de alta capacidade e baixa latência. Neste sentido, destaco como quinta tendência tecnológica o 5G. Os leilões de frequências adiados no ano passado deverão ocorrer durante o ano de 2021, movimentando os investimentos ao redor desta tecnologia. Colocando essa perspectiva em números, no Brasil, nesta nova década, a chegada do 5G poderá impactar 100 bilhões de dólares no PIB do País, segundo a Anatel e a KPMG.

Nestes números não estamos falando apenas de usuários de telefonia móvel, mas principalmente de serviços que farão uso das características da tecnologia como: baixa latência, capacidade de transmissão, suporte a bilhões de dispositivos e segmentação por tipo de serviço (slicing). O 5G ainda viabilizará nos próximos anos o uso massivo de soluções de IoT e a criação de redes móveis privadas de comunicação, sendo um dos principais pilares para a transformação digital de diversas indústrias.

Estas tendências serão alavancadas por movimentos importantes de mercado que ocorrem paralelamente no Brasil. No setor bancário, a entrada do open banking será um grande acelerador, assim como a popularização dos meios de pagamento digitais a partir do uso do PIX. Grandes cadeias de varejo tornaram-se plataformas de e-commerce e integraram suas operações físico-digital. Setores industriais, como mineradoras e empresas de energia, começaram a utilizar redes LTE privadas para avançar em tecnologias de indústria 4.0 e smart grid.   

É fato que a pandemia e todos seus efeitos trouxeram à tona uma nova realidade digital que vai perdurar pelos próximos anos. O distanciamento social físico fez com que ficássemos cada vez mais próximos digitalmente, e o mundo digital é um oceano de possibilidades para aqueles que serão capazes de colher os bons frutos do uso de tecnologia nos mais variados mercados.

*Mauricio Suga é diretor de Tecnologia da Logicalis

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